Posts com a tag "trecho"

Sherlock Holmes falando de flores

Publicado por em 13/01/2011 | Deixe um comentário

“Que coisa bela é uma rosa! Para nada a dedução é tão necessária quanto o é para a religião – disse ele, apoiando as costas contra as venezianas da janela. – Ela pode ser constituída como uma ciência exata pelo lógico. Nossa mais completa confiança na excelência da Providência está depositada nas flores. Todas as outras coisas, nossos poderes, nossos desejos, nossa comida, são realmente necessários para nossa existência em primeiro lugar. Mas essa rosa é um extra. Seu perfume e sua cor são um embelezamento da vida, não uma condição dela. É somente a excelência que nos dá um extra, e por isso digo mais uma vez que temos muito que esperar das flores.”

Se tem uma coisa que eu não esperava encontrar nesse mundo, era uma declaração de Sherlock Holmes sobre as flores. Achei o máximo. Foi um pequeno grande momento meu. Imagina, eu amo flores. Quem me conhece há mais tempo, sabe que já tive, inclusive, um blog chamado “azul com flores”.

Com essa de colocar uma observação tão delicada na voz do mestre dos magos da investigação, Sir Arthur Conan Doyle me fisgou de vez. O trecho é de um dos melhores contos do personagem, O Tratado Naval, presente em Memórias de Sherlock Holmes. Para completar, acabei pinçando essas cenas com o trecho, pedaço de uma série que passou entre 1984 e 1994.

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O demônio do ritmo

Publicado por em 19/11/2010 | Um comentário

“O jazz tocava… Vasco via o mulato do saxofone, suado, com a cara reluzente, os olhos doidos, possuído do demônio do ritmo, gingando, tocando com os pulmões, com os olhos, com o corpo inteiro.”

Saxofone. Foto: Elisabeth D’Orcy

Recorte de Um Lugar ao Sol, de Érico Veríssimo, registrado no bloquinho. Será que esse mulato estava tocando um The Dave Brubeck Quartet? Porque se fosse, acho que eu me apaixonava.

Foto do Flickr da Elisabeth D’Orcy

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Isto não é romance em que o autor sobredoura a realidade

Publicado por em 27/10/2010 | Deixe um comentário

“Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação.”

Flower Head. Foto: Vincent vonSchnauzer

Tirei do bloquinho de trechos literários. Anotações antigas de quando li o clássico: Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Foto do Flickr de Vincent vonSchnauzer.

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Das coisas que, uma hora ou outra, chegam

Publicado por em 18/10/2010 | Deixe um comentário

“E ele também já não era jovem, não podia agradar às mulheres que recuavam do seu amor sem forças, afastadas pela mágica do inferno que torna um homem mais idoso do que um pai já morto, na meia idade, quando se faz contas com o tempo, com as cidades deixadas para trás, com os amigos mortos e com o silêncio que nos cerca.”

"You'll Never Walk Alone". Foto: Julius Dillier

Trechinho do conto A cabeça de calcário, de Fernando Monteiro. Um dos textos integrantes da coletânea Tempo Bom, que é a minha leitura agora. Na sequência, tem um dos melhores contos dos últimos tempos de um autor que eu desconhecia por completo: Rinaldo de Fernandes, da Paraíba. O cavalo tem um quê de literatura fantástica. Ou não. E essa dúvida é genial.

Foto do Flickr de thebmag.

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Ansiedade: desejo veemente e impaciente (Houaiss)

Publicado por em 4/10/2010 | Deixe um comentário

É, agora não é a minha hora de ler A Menina que Roubava Livros. Fui até a página 60, como indicou a amiga que me emprestou o título, mas não engatou. Engraçado que eu tenha encontrado no próprio, mesmo lendo menos de um quinto das páginas, um trecho que aborda justamente essa ansiedade que a sintonia entre o momento de vida do leitor e obra é capaz de causar (um dos assuntos desse post). No trecho, a garota do título quer devorar, mesmo sem saber ler ainda, o Manual do Coveiro, pego porque lembra a ela o irmão mais novo recém-falecido.

Trecho do livro "A Menina que Roubava Livros"

Acho que é assim que deve ser.

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“Pensar tem um defeito irremediável”

Publicado por em 14/09/2010 | Deixe um comentário

“Nós que tentamos pensar tudo isso estaremos condenados apenas a uma espécie de heroísmo negativo? Está claro que um tipo de figura intelectual (Voltaire, Zola, Sartre) desapareceu com o declínio da modernidade… a violência da crítica feita à academia durante os anos 60, seguida pelo declínio inexorável das instituições educacionais em todos os países modernos mostra com clareza suficiente que o conhecimento e a transmissão cessaram de exercer a modalidade de autoridade necessária para que os intelectuais sejam ouvidos quando tomam a palavra. Num mundo em que o sucesso é identificado com a economia de tempo, o pensar tem um defeito irremediável: ele desperdiça tempo”.

inside out. Foto: misspixels

São constatações pessimistas do filósofo francês Jean-François Lyotard (1924-1998) sobre a tal condição pós-moderna que, tenho aprendido, levanta mais debate do que conclusões. Tão difícil é estudar ideias em aberto. Um exercício.

Foto do flickr de misspixels

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Apenas um número limitado de vezes

Publicado por em 13/09/2010 | Deixe um comentário

“Porque não sabemos quando vamos morrer, nós começamos a pensar na vida como um bem inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um número limitado de vezes…’, soa a voz de velho do Paul Bowles, no final do filme que considero ainda mais belo do que o romance original. ‘Quantas vezes mais você vai se lembrar de uma certa tarde da sua infância, uma tarde que faz tão profundamente parte do seu ser, que você não pode sequer conceber sua vida sem ela? Talvez umas quatro ou cinco vezes, talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai assistir ao nascer da lua cheia? Talvez 20. E, no entanto, tudo parece sem limites…”

Children in the afternoon - Foto: Emiliano Zapata

Ah, um pequeno momento de felicidade é, assim, quando você constata que estava escrito pelo mundo um raciocínio que você sempre teve. Mesmo sendo uma ideia dura como essa. É encontrar um cúmplice, alguém que se debruçou sobre o pensamento com o qual você convive, expressando-o da forma ideal.

É instigante, mesmo tendo sido de uma leitura atrasada de uma revista. E mesmo sendo uma citação de um filme que eu não vi (O céu que nos protege, de Bertolucci), baseado na vida de um casal de escritores que eu não li: Paul Bowles e Jane Bowles. Não tem importância.

O trecho é de um artigo muito bom de Fernando Monteiro, Sob o sol de Tânger ou de Málaga, na Continente #115.

Foto do Flickr de Emiliano Zapata.

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Não é coisa de mulher

Publicado por em 3/08/2010 | Deixe um comentário

Esculhambacao

Eu nunca entendi essa cisma com esse verbo e derivados. Tudo bem que ele não é nada bonito, mas tem tantas outras palavras feias que a gente usa sem pudor. Minha mãe sempre teve calafrios nas poucas vezes em que ousei proferir “esculhambado”, “esculhambação”, e reclamava ardorosamente.

E aí Nelson Rodrigues me vem com essa em O Casamento para me lembrar dessa convenção que eu aprendi sem compreender.

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