Posts com a tag "trecho"

Vontade de aprender

Publicado por em 5/09/2011 | Deixe um comentário

“No meu trabalho, não tenho vocação pedagógica. Prefiro enfrentar o desespero, a aflição ou mesmo a depressão a lidar com a vontade de aprender; sempre desconfio de que a vontade de aprender sirva para esconder dores que não querem ser ditas e que permanecerão seladas. Aproveitei para lembrar a ela que uma análise didática deveria ser de, no mínimo, três sessões por semana, e eu não disporia de horários para isso, nem na volta das férias.”

Trecho de A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris, livro que tem minhas atenções agora e foi um dos meus presentes. É a voz do personagem principal, um psicanalista que tenta se livrar de uma paciente. Ainda mais depois de saber que ela está se formando em psicologia. O autor é realmente pscanalista, e junta a investigação do humano com um pegada policial. Resultado é puro caso de amor. Vamos ver se vai até o final.

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Seus anseios são universais

Publicado por em 19/08/2011 | Deixe um comentário

F. Scott Fitzgerald

via breathingbooks.tumblr.com

Esse post é um #ficaadica pra quem gosta de livros, blogs, citações e fotografias e mais algumas coisas. O tumblr Breathing Books é uma delícia. Pra se ter ideia, eu tive vontade de colocar todas as fotos que têm lá aqui, e aí me dei conta de que era melhor sugerir o caminho direto. Bom proveito.

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No analista com Rubião

Publicado por em 5/07/2011 | Deixe um comentário

“Galateu não sabia se estava realmente enfermo, mas era fora de propósito ser obrigado a deitar-se no num divã e ouvir uma série de perguntas imbecis sobre a sua adolescência:

– Doutor, vim atrás de clínico, não de padre.

O analista se irritou com a insinuação. E, repreeensivo, assegurou que o paciente carregava dentro de si imenso lodaçal.”

Do conto Lodo, de Murilo Rubião. Quem faz ou já fez terapia, há de se identificar com o trecho. Todo mundo, em algum momento, se sente um pouco invadido.

No fim de semana, consegui acabar de ler toda a obra do autor. É tão lindo ter lido TODA a obra de alguém na vida. Só que Rubião, infelizmente, facilitou, já que toda a sua obra significa 33 contos. Ele começou a publicar na década de 40 e burilava demais seus textos, de forma que nunca estavam acabados. Imagine passar 20 anos escrevendo um conto, é o que dizem. Claro que os resultados são primorosos, cada conto é um mundo paralelo e intrigante.

Leia outros trechos de livros.

Foto: ciadefoto

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Turbilhão endiabrado

Publicado por em 20/05/2011 | Deixe um comentário

“Lily dançava num ritmo saboroso e cheio de graça, sorrindo e cantarolando a letra da canção, erguendo os braços, mostrando os joelhos e balançando a cintura e os ombros de tal maneira que todo o seu corpinho, modelado com tanta malícia e tantas curvas pelas saias e blusas que usava, parecia se encrespar, vibrar e participar do baile dos pés à cabeça. Quem dançava um mambo com ela sempre saía mal porque, como acompanhá-la sem se atrapalhar no turbilhão endiabrado daquelas pernas e pezinhos saltitantes?”

Dançarina - Foto: cobalt123

Hoje é sexta-feira, é dia de dançar assim, loucamente, como se não houvesse amanhã. O trecho é do Travessuras da menina má, do Mario Vargas Llosa. Eu ainda não cheguei à metade, mas há fortes indícios de que a Lily da dança endiabrada é a menina má do título do livro. Veremos.

Foto do Cobalt

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Os best-sellers de cada geração

Publicado por em 7/04/2011 | Deixe um comentário

“Se quisermos executar a mesma fórmula que nos anos 2000 deu a J.K. Rowling mais dinheiro do que ela (ou qualquer pessoa) precisaria ganhar, é necessário entender que a diferença entre vender milhões de exemplares ou apenas alguns milhares está, não na capacidade de formatar as palavras com precisão, mas de dizer aquilo que uma geração necessita ouvir/ler com urgência. Só assim justificamos a existência de outros ‘fenômenos’ do gênero.”

Não só é difícil dar vencimento na estante com livros, mas na prateleira de revistas também. Então às vezes eu vou e pego um número antigo, cujo conteúdo é atemporal. O caso do Suplemento Pernambuco nº 38. Nele, tem um texto delicioso de Flávia de Gusmão, Os zíperes abertos de uma geração, de onde tirei o trecho acima. É sobre um best-seller dos anos 70, sobre liberação sexual feminina escrito por Erica Jong: Medo de voar.

Mulher no espelho - Foto: Helga Weber

Soou pra mim bem revelador esse raciocínio do sucesso pela identificação de um grupo, pela representação de uma época. Daí eu me perdôo um pouco mais por ter passado tanto tempo na adolescência enchendo meus ouvidos de pagode, e fico mais atenta pra o porquê de minha irmã ter lido duas vezes cada livro da saga Crepúsculo ou gostar de artistas como Luan Santana.

Foto: Helga Weber

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Bloqueio criativo

Publicado por em 2/04/2011 | Deixe um comentário

Bloqueio criativo

“Movia-me, desinquieto, na cadeira, olhando com impotência as brancas folhas de papel, nas quais rabiscara umas poucas linhas desconexas. (…) Para vencer a esterilidade, arremeti-me sobre o papel, disposto a escrever uma história, mesmo que fosse a mais caótica e absurda. Entretanto, o desespero só fez crescer a dificuldade de expressar-me. Quando as frases vinham fáceis e enchia numerosas lauas, logo descobria que faltara o assunto. Escrevera a esmo.”

Que fique bem longe de mim. Trecho do conto Marina, a intangível, de Murilo Rubião, mais um de A Casa do Girassol Vermelho.

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Rubião, disposição e girassóis

Publicado por em 28/03/2011 | Deixe um comentário

“O entusiasmo era contagiante. Febril. Uma alegria física inundava as faces que até a véspera permaneciam ressentidas. O que veio antes e depois ficará para mais tarde. Mas o que importa, se naquela manhã a alegria era desbragada!”

Girassol - Foto: Bernat Casero

Para começar a semana, o início do conto A Casa do Girassol Vermelho, de Murilo Rubião. Está num livro de mesmo nome, com contos do mineiro que viveu entre 1916 e 1991. Numa dessas injustiças da vida, custou a ter a obra reconhecida. Uma bibliografia de 33 contos, tímida no número, porém valiosa no conteúdo.

Hoje, ele é reconhecido como um dos precursores da literatura fantástica no Brasil. Gênero que vou estudar, a partir dele, para a pós-graduação. Portanto, devo falar muito de Rubião por aqui ainda. De antemão, digo que vale a pena demais conhecer. Tem um site www.murilorubiao.com.br e aqui dá pra ler um conto.

Foto de Bernat Casero

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Quatro batidas secas

Publicado por em 21/03/2011 | Deixe um comentário

“Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça”.

"Letters from Iwo Jima" - Foto de Jose Maria Cuellar

Tirei do bloquinho, relembrando algumas poucas partes que gostei de O Estrangeiro, de Albert Camus. De modo geral, não curti o livro.

Foto de Jose Maria Cuellar.

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