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Trecho – Poesia para inundar a vida

Publicado por em 13/07/2015 | Deixe um comentário

Poesia para inundar a vida

Poesia

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.”

– Carlos Drummond de Andrade.

Confesso que não sou muito familiarizada com poesia, mas na viagem pra Minas Gerais, comprei num sebo uma coletânea de 100 poemas de Carlos Drummond de Andrade. Advinha? Tô amando. Vocês me indicam mais poetas incríveis?

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Foto: Livia Cristina

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O Hobbit, o filme depois do livro

Publicado por em 7/01/2013 | 4 comentários

O Hobbit

É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar.”

Trecho de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, a minha atual leitura, que estou curtindo bastante. Apesar de ser uma experiência estranha ler depois de ter visto o primeiro filme. Eu já sei uma parte da história, e aí fico só comparando com o que vi no cinema, e muitos detalhes são diferentes. O que me leva a pensar o porquê de a produção mudar coisas pequenas, que aparentemente não fariam diferença.

Gostei muito do filme, mas odiei o fato de terem transformado um único livro em três filmes (a saga só acaba em 2014 :/). É comercialmente descarado demais. A única coisa boa é que logo vou chegar na parte da leitura onde o primeiro filme acaba, e aí sim estarei lendo sem pré-julgamentos.

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Emma comprova: escrever não é mesmo fácil

Publicado por em 25/05/2012 | 2 comentários

Foto do tumblr Breathing Books

“Aquelas palavras na tela representavam seu projeto mais recente, uma tentativa de escrever uma série de romances policiais comerciais e discretamente feministas. Aos onze anos Emma já havia lido tudo de Agatha Christie, depois também leu muita coisa de Raymond Chandler e James M. Cain. Parecia não haver razão porque não pudesse tentar alguma coisa do gênero, mas estava percebendo mais uma vez que ler e escrever não eram a mesma coisa: não se podia simplesmente absorver tudo e regurgitar.”

Ser escritor pode ser muito nobre, mas ninguém nunca disse que era moleza. Está aí Emma Morley, personagem de Um Dia, de David Nicholls, pra não me deixar mentir com dois trechos. Acima, é quando ela está tentando escrever o primeiro livro, o clássico bloqueio criativo, a auto-crítica. O outro descreve a primeira decepção com uma editora. Sempre foi difícil, tem que amar, tem que ser necessário.

“As portas do elevador se fecham e Emma desaba contra a parede enquanto desce os trinta andares, sentido seu entusiasmo coalhar na boca do estômago numa decepção azeda. Às três horas da manhã, sem conseguir dormir, tinha fantasiado um almoço de improviso com a sua nova editora. Imaginou-se tomando vinho branco gelado no restaurante Oxo Tower, entretendo sua companhia com envolventes histórias dos tempos de faculdade, e agora lá está ela, expelida de South Bank em menos de vinte e cinco minutos.”

Estou curtindo muito o livro, uma comédia romântica inteligente, cheia de referências e contada de forma criativa. Digo mais em breve.

Foto do Breathing Books.

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O Dia do Beijo por Julio Cortázar

Publicado por em 13/04/2012 | 7 comentários

Foto de Zavarykin Sergey

“Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.”

Ficaram sem fôlego? É um trecho do livro Jogo da Amarelinha (no original, Rayuela), de Julio Cortázar, publicado em 1963. Uma grande contribuição da leitora Paula Costa na fan page, que deixou o dia do beijo mais encantador e romântico.

A propósito, já curtiu a página do Menos um na estante no Facebook?

Foto de Zavarykin Sergey

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Sobre previsibilidade

Publicado por em 6/04/2012 | Deixe um comentário

“Dexter expirou pelo nariz e se ajeitou na cama, examinando o mal-ajambrado [<3] quarto que ela aluga, sabendo com absoluta certeza que em algum lugar entre aqueles cartões-postais e cartazes de peças de teatro alternativo haveria uma fotografia do Nelson Mandela, como uma espécie de namorado ideal que só existe no mundo dos sonhos. Já tinha visto muitos quartos como aquele nesses últimos quatro anos, espalhados pela cidade como a cena de um crime, quartos onde nunca se estava a mais de dois metros de um disco da Nina Simone. Embora raramente tivesse visitado duas vezes o mesmo quarto, tudo era muito familiar.”

Nina Simone

Em Um Dia, de David Nicholls, Dexter acha a postura de Emma e de muitas garotas descoladas previsível. E tantas vezes as pessoas se acham tão originais, mas não têm como fugir a certos clichês. Mas se pra curtir algo que faz bem, como uma boa música de Nina Simone, a gente se torna comum, que mal tem?

Bom, estou amando o livro.

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Difícil é ser suficiente

Publicado por em 7/02/2012 | Um comentário

C.S. Lewis

via breathingbooks.tumblr.com

Eu só substituíria o chá pelo café. ;)

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Amizade à peruana

Publicado por em 12/11/2011 | Deixe um comentário

– Estou me sentindo sozinho feito um cachorro abandonado, meu irmão – confessou.
– Você nem sabe como fico contente por ter vindo. Descobri que apesar de conhecer um milhão de gringos aqui, você é o único amigo que tenho. Amigo de amizade à peruana, dessas que vão até o tutano, quero dizer. Aqui as amizades são muito superficiais, mesmo. Os ingleses não têm tempo para amizade.

Londres

A fala em Travessuras da Menina Má, de Vargas Llosa, é de Juan para Ricardo. Juan é bissexual e sofre com uma doença desconhecida, que acaba com a sua imunidade e deixa seu estado cada vez mais grave. Numa época em que a AIDS ainda era misteriosa para as pessoas.

O problema é que às vezes me sinto meio inglesa, nesse sentido aí de não ter tempo para amizade. Tanta coisa para dar conta na vida, que é difícil ficar em dia com tudo. E isso me faz um mal. Mas aos poucos, a gente vai se organizando, e priorizando o que faz bem.

Foto de um pôr-do-sol em Londres, de Unai Mateo.

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Sobre esse tipo de amor com obssessão

Publicado por em 7/11/2011 | Deixe um comentário

Hotel Russel

“Eu continuava doido por ela. Foi só vê-la para reconhecer que, mesmo sabendo que qualquer relação com a menina má estava condenada ao fracasso, a única coisa que eu realmente desejava na vida, com a mesma paixão que outros dedicam a perseguir a fortuna, a glória, o sucesso ou o poder, era ela, com todas as suas mentiras, suas confusões, seu egoísmo e seus desaparecimentos. Uma breguice, sem dúvida, mas a verdade é que até a sexta-feira seguinte fiquei amaldiçoando a lentidão das horas que faltavam para o novo encontro.”

O trecho é de Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa. A tal menina má toca o terror na vida de Ricardito, o personagem em cuja voz está o trecho acima. A foto é do Hotel Russel, em Londres, pois é lá que acontece o primeiro reencontro dos dois em muito tempo.

Foto de Andy Roberts.

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