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[Resenha] Hibisco Roxo da nigeriana Chimamanda

Publicado por em 2/05/2016 | 2 comentários

Hibisco Roxo. Foto: Ellen Guerra

Hibisco Roxo é sobre a dificuldade de crescer e pertencer. Foto: Ellen Guerra

Por Ellen Guerra

Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há uma única história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso. É assim que Chimamanda Ngozi Adichie finaliza sua conhecida palestra O Perigo de uma única história no TEDx. E é isso que a autora faz ao apresentar em seu romance de estreia, Hibisco Roxo, a história de Kambili. Uma adolescente de 15 anos que vive na Nigéria pós-colonial.

Kambili não é só a protagonista, ela é a voz narradora da história. Filha de Eugene um rico industrial convertido à religião católica e carinhosamente chamado de Papa. Eugene é fanático, superprotetor e violento. Controla todos os acontecimentos da casa. Os filhos possuem horários marcados para todas as atividades que são checadas exaustivamente.

A casa é silenciosa. Um ambiente estéril, extremamente limpo da sujeira e do pecado. Não há conversas ou discussões. As refeições são marcadas por longas orações seguidas de longos silêncios.

A única voz ativa é a de Eugene. Beatrice a Mama e Jaja o irmão mais velho fazem parte do coro silencioso que apenas acende positivamente as ideias do pai. A todo instante a narradora se arrepende por não ter dito algo que papa gostaria de ouvir.

Hibisco é uma planta de folha e flor exuberante que crescia aos montes no jardim da casa, mesmo com as muitas tentativas da Mama de podar as flores. As recordações de Kambili começam com o florescer dos hibiscos ainda vermelhos. 

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[Resenha] “Enquanto Agonizo” nas linhas de Faulkner

Publicado por em 5/04/2016 | Deixe um comentário

Enquanto Agonizo, William Faulkner

Enquanto Agonizo foi escrito em apenas oito semanas.

Por Wagner Bezerra Pontes

Por que ler um clássico?

Não é um simples clássico da literatura Norte-Americana, mas considerado um dos cem melhores romances em inglês do século XX, pelo júri especializado da editora Modern Library (atual Random House).

Enquanto Agonizo, de William Faulkner, é um dos seus romances (o 5º de dezessete) mais ousado na linguagem. Ele decidiu escrevê-lo em oito semanas “sem mudar uma palavra”.

E antes de começar a escrever disse a si mesmo: “Eu vou escrever um livro graças ao qual, em caso de necessidade, eu possa me manter ou cair se eu nunca tocar na tinta de novo”.

Foi publicado em 1930 (depois da Grande Crise de 29), onde vemos a decadência, os sofrimentos e as angústias de uma pobre família rural vivendo após a crise.

O pai disse que farinha e açúcar e café custam caro demais. […] Por que farinha e açúcar e café custam caro quando se é um garoto do campo?” (pag. 59).

Faulkner gostava de dizer do que se tratava o romance, sobre “o problema do coração humano em conflito consigo mesmo”.

O estilo

O leitor perceberá que a história da família Bundren é uma odisseia sem fim. Num primeiro momento, para quem não está habituado com o tipo de escrita de Faulkner, muito influenciado por James Joyce com o fluxo de consciência, pode achar meio confusa/hermética. Já que, o romance é composto pela voz/visão de cada personagem (15 ao todo).

Em alguns momentos a história pode parecer meio vaga a cada capítulo, fazendo o leitor voltar às páginas para reler e vê se não deixou passar algo. 

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Livro #3 de 12 | Rita no Pomar para surpreender

Publicado por em 13/11/2015 | Deixe um comentário

Clique e saiba mais. #12livrosem2015

Rita no Pomar, de Rinaldo de Fernandes

Rita no Pomar, de Rinaldo de Fernandes

Um dia eu cliquei em “publicar” numa postagem e nem imaginava o que aconteceria por causa disso. Eram minhas impressões sobre a coletânea de contos Tempo Bom aqui no blog, cuja história O Cavalo me chamou mais a atenção do que as outras. Imagine que o autor dela leu o meu post, gostou das observações e ainda entrou em contato por e-mail. Essas surpresas que a internet permite.

Rinaldo de Fernandes acabou me enviando dois de seus livros, num gesto muito atencioso ao qual só agora retribuo. Antes tarde que nunca, né?

Venho contar sobre a minha leitura do romance Rita no Pomar, uma obra que eu achei incômoda. E isso é um elogio, pois o título do livro e a sinopse fazem você gerar uma expectativa de alento que a realidade das páginas não cumpre.

Diria que Rita está na mesma família literária imigrante de Macabéa, a protagonista de A Hora da Estrela, só que num sentido inverso. Ela deixa São Paulo e se instala numa praia do litoral nordestino. São personagens encurraladas numa situação de vida em que a última opção é a mudança do espaço físico. 

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Livro #2 de 12 | Resenha | A arte de fazer acontecer (GTD), de David Allen

Publicado por em 2/07/2015 | 10 comentários

Clique e saiba mais. #12livrosem2015

Tem título de autoajuda, mas na verdade A Arte de Fazer Acontecer é a bíblia do conceituado método de organização e produtividade criado por David Allen, autor do livro. O Getting Things Done, abreviado de GTD, é o assunto deste livro. E o que isso tem a ver com livros e leitura?

Muita coisa.

A principal é que este é sobre não se distanciar dos livros, e organização e produtividade tem tudo a ver com conseguir ler mais e com mais qualidade. Concorda?

Por isso, embora seja um livro mais técnico, a minha segunda leitura do ano – demorei a fazer a resenha! – merece um espaço aqui.

A premissa do método é simples, e talvez por isso seja tão encantador logo de cara: sua mente foi feita para ter ideias, não para mantê-las. Então o GTD quer livrá-la do peso de ter tantas coisas acumuladas, deixando sela livre para criar e focar.

Dar ordem ao caos. Meio como o Google, que quer organizar a internet, sendo que pra sua vida.

Livro sobre o GTD, de David Allen

E é difícil que alguém não se identifique com essa necessidade no tempo tão corrido, caótico e veloz em que vivemos. Não à toa, Getting Things Done é um best seller internacional publicado em mais de 28 línguas, desde 2001. 

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Livro #1 de 12 | As vastas emoções de Rubem Fonseca

Publicado por em 6/05/2015 | Deixe um comentário

É o meu projeto realista de leitura :) #12livrosem2015

Livro 1/12 - Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, de Rubem Fonseca.

Livro 1/12 – Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, de Rubem Fonseca.

Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, de Rubem Fonseca, é o livro mais cinematográfico que eu já li. Se fosse um filme, seria um de David Lynch. Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive, 2001), pra ser mais específica. Porque é uma história onírica em que o espectador o tempo todo se pergunta se o que acontece é delírio ou a realidade dos personagens. No livro, esse limiar parece um pouco mais definido. Eu disse “parece”.

>> Assista ao trailler do filme e entenda o que eu digo.

O próprio título é parte da definição de sonho de um médico e psicólogo britânico chamado Havelock Ellis: “um mundo arcaico de vastas emoções e pensamentos imperfeitos”. Inclusive foi essa parte do livro que me atraiu, pois considero uma das mais lindas combinações titulescas da língua portuguesa. E os sonhos ganham mesmo um papel tão importante na trama quanto os acontecimentos fora deles, na vida do personagem principal.

Se tem uma coisa que o leitor vai encontrar neste livro é ritmo, pois a história se desenrola num thriller de investigação onde há duas grandes tramas na vida do mesmo protagonista. Se fosse escrito hoje, o autor poderia facilmente considerar colocar a história em três volumes. Mas foi em 1988.

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Resenha | Confissões de um Cafamântico, por Elisa Lacerda

Publicado por em 22/05/2014 | Deixe um comentário

No mês de março, ganhei um livro de presente de aniversário da minha melhor amiga, escrito pelo melhor redator publicitário e blogueiro do Brasil – eleito por mim – Ricardo Coiro. O livro se chama Confissões de um Cafamântico. Como sempre acompanhei os trabalhos de Coiro pelos blogs que ele escreve, nem pensei duas vezes pra começar a lê-lo. Esperando uma leitura com uma história de amor totalmente perturbadora, cheia de idas e vindas ou coisa parecida, na primeira linha do livro o enredo me conduz a uma narrativa completamente diferente. O livro é composto por 19 verbetes sentimentais (amor, mentira, vaidade, paixão, tesão, saudade, alegria, etc) e várias crônicas que definem o que é ser um Cafamântico na cidade de São Paulo – onde nasceu e vive o escritor.

confissões de um cafamântico - ricardo coiro

Sou louca por leitura de crônicas, por pessoas que gostam de escrever sobre outras pessoas, sobre relacionamentos… PROONTO! Perfeito, Ricardo Coiro é bem assim, ele brinca com o caos sentimental, com as palavras e as transforma em poesias de mesa de bar, cheias de cinismo. Então, se é disso que você também gosta, é isso que você vai encontrar neste livro. Fazia tempo que eu não lia algo que surpreendesse tanto, que me mostrasse outros conceitos do que já nos é óbvio e rotineiro.

confissões de um cafamântico - trecho

Não quero me estender mais um pouco pra não estragar a surpresa. Mas, pode abrir o livro em qualquer página que lá, com certeza, – isso eu garanto – você encontrará uma brecha de identificação em alguma linha.

+ Mais sobre o escritor em:

www.casalsemvergonha.com.br
www.entendaoshomens.com.br
www.revistacatwalk.com.br
superela.com

 

Elisa LacerdaColaboração: Elisa Lacerda

Publicitária. Diretora de Arte. Olinda. Música. Crônicas.

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Nelson Rodrigues em 100 contos inéditos, por Rita Costa

Publicado por em 17/04/2014 | 6 comentários

A vida como ela é: 100 contos inéditos

Primeiramente: antes de ler Nelson, aconselho você a “neutralizar” seus conceitos e preconceitos para mergulhar no universo delicioso, embora polêmico desse autor, que, por ser tão controverso é conhecido como O Anjo Pornográfico. Todo leitor sabe contextualizar, mas é sempre bom lembrar.

Os romances rodrigueanos sempre cheios de conflitos morais, emocionais e familiares fazem a gente viajar a meados dos anos 50 e 60, época de revoluções culturais e políticas preteridas pelo autor. Nelson Rodrigues se ocupa em contar histórias cotidianas daquelas boas de ler, que te prendem do início ao fim e que, claro, como na vida real, têm desfechos cômicos, e quase sempre trágicos (levando em consideração o perfil do escritor). A Vida Como Ela É, remetendo ao título do livro.

O recorte geográfico feito por Nelson, apesar de ser pernambucano é o Rio de Janeiro, e mesmo o leitor jamais tendo visitado, sentir-se familiarizado à cidade é batata! (os que já leram alguma obra reconhecem de primeira essa expressão muito usada por ele, que designa certeza).

A vida como ela é: 100 contos inéditos

E por falar em é batata!, como não se contaminar com o vocabulário que esta leitura apresenta pra gente? É consenso que um dos pontos altos da escrita do autor é exatamente a curiosa quantidade que ele traz de expressões que nossos avós e talvez pais detectem facilmente. Como diria o próprio: um deleite.

Acostumada a ler romances mais longos do autor, quando vi na prateleira 100 contos inéditos não titubeei, porque, confessadamente apaixonada por sua obra, não tinha lido ainda histórias mais curtas características desse estilo, e convenhamos, 100 contos, e inéditos, são um prato cheio para qualquer fã declarado!

Como esperado: devorei o livro. A fluidez com que Nelson relata as situações fazem a gente se sentir um ouvinte atento às histórias “cabeludas” contadas por ele, e você acaba viajando no tempo, reconhecendo as características dos personagens tão simples e ao mesmo tempo complexos, remontando fatos que você já ouviu falar que aconteceu com a prima da sua tia de segundo grau, e fazendo o inevitável questionamento: “Imagina se fosse comigo?”. Enfim, são 100 contos que fazem a gente querer que publiquem mais uma centena, de tão instigastes. Recomendo fortemente aos que apreciam uma boa leitura.

ritinhaColaboração: Rita Costa

Curiosa e leitora inveterada sempre que dá.

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Obrigada, Ritinha! <3

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Como ter uma vida normal sendo louca, por Elisa Lacerda

Publicado por em 24/02/2014 | Um comentário

Foto by Elisa Lacerda

Numa tarde de domingo, fui passear com umas amigas no Recife Antigo – que são bem loucas – e decidimos ir à Livraria Cultura do Paço Alfândega tomar um Veneziano – quem já tomou, sabe que esse sorvete é outra loucura. Sim, mas o que você tem a ver com isso, não é? Calma, é que de repente uma amiga minha indicou uma leitura de autoajuda – qual foi? – que era a minha cara e que se chamava Como ter uma vida normal sendo louca, fiquei tão interessada com o título que soou bem pertinente ao meu estado de espírito e comprei.

Costumo dizer que o livro é uma publicação para qualquer mulher de qualquer idade, ou se preferir, para qualquer mulher que já teve um namorado psicopata, já quis parecer intelectual na presença de alguém ou que já teve que dizer ao melhor amigo que ele fede.

Trecho. Foto de Elisa Lacerda.

Com prefácio assinado por Glória Kalil, indicado por Tatá Werneck e Julia Petit, as escritoras Camila Fremder (roteirista) e Jana Rosa (Apresentadora de TV) descrevem essas e outras situações que (nós) mulheres modernas temos que enfrentar todos os dias e como devemos sair ilesas de cada uma delas. Na verdade eu acredito que o livro não é uma autoajuda, mas sim uma espécie de “manual” bem humorado com um toque de loucura.

E o que mais me chama atenção é que a cada página que você vai passando, você se identifica com as crônicas, e algumas vezes sente a sensação de estar jogando conversa fora com a sua melhor amiga.

Mas ó, é incrível chegar no final do livro e descobrir que você não é a única louca, nesse mundo de loucos.

Contracapa. Foto de Elisa Lacerda.

Elisa LacerdaColaboração: Elisa Lacerda

Publicitária. Diretora de Arte. Olinda. Música. Crônicas.

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Obrigada, Elisa! <3

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