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Boas notícias de Carrero pelo Twitter

Publicado por em 6/12/2010 | Deixe um comentário

Marcelino Freire fala de Raimundo Carrero

Essas ótimas novidades apareceram na minha timeline na tarde desse sábado: Marcelino Freire tuítou dizendo que tinha visitado o amigo Raimundo Carrero, e que ele está firme, vivendo e escrevendo como gosta de fazer. São lições como essa que eu quero levar comigo: a vida lhe dá uma rasteira e você se aproveita dela, usando como inspiração literária. Então, que venha a nova obra de Carrero. E vida longa! Amém.

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Foi Carrero quem me ensinou a ler

Publicado por em 21/10/2010 | Um comentário

Diante de Literatura com L maiúsculo, é normal se questionar se a mensagem entendida é aquela mesma que o autor quis passar. Mas a gente não costuma avaliar se está lendo da maneira apropriada. Na escola, ninguém ensina que um texto literário de verdade é tão complexo que exige, na contrapartida, uma atenção especial para ser captado.

Isso é algo que só o escritor Raimundo Carrero me ensinou.

Foi quando fiz alguns meses da sua famosa Oficina Literária, no casarão bucólico da União Brasileira dos Escritores (UBE), em Casa Forte. É um curso que rola há tempo, para ensinar técnicas de escritor, coisa que eu tinha muita vontade de ser na época (hoje estou apaixonada por tantas outras atividades que nem sei mais). E a arte de ler um bom texto sempre foi a primeira das lições.

Raimundo Carrero

Carrero abria um livro (como O Som e a Fúria, de William Faulkner) e lia, com toda a imponência da sua voz robusta e rouca, para a gente perceber que cada palavra do texto não teria nenhum outro lugar do mundo para estar senão ali. Vírgula, ponto ou exclamação, toda a pontuação integra o emaranhado vivo da linguagem que é uma obra literária. Tudo é meticulosamente pensado pelo escritor para completar, com leveza, angústia, dramaticidade, o que as frases diziam.

Ou pelo menos deveria ser, na visão dele. Essa liçãozinha me convidou a áreas inexploradas dentro da Literatura. Só que vieram outras responsabilidades, choque de horários, parei de frequentar a Oficina Literária, sempre na promessa de voltar, numa dessas coisas que você adia sem prazo.

Decidi contar tudo isso para homenagear e, mais ainda, mandar um monte de energias positivas para ele, que agora se  recupera de um AVC, pouco tempo depois de ser agraciado com o Prêmio São Paulo de Literatura por Minha alma é irmã de Deus. Que chegue um pouquinho de força pelas palavras.

Tenho uma PROPOSTA: Se você também é blogueiro, que tal também fazer um post sobre o escritor? A gente vai linkando os posts uns dos outros, formando uma espécie de abraço coletivo virtual. Seria bonito. Quem topar, me avisa!

Atualização: O pessoal do blog Ofício Literário, coincidência ou não, nem sabia do estado de saúde de Carrero quando recentemente o postou um trecho – muito bonito, diga-se – de A minha alma é irmã de Deus, como contaram nos comentários.

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O que as palavras iniciais de um livro dizem sobre ele

Publicado por em 30/04/2010 | 7 comentários

Uma das valiosas coisas que aprendi com o escritor Raimundo Carrero é o que a primeira frase de um livro informa sobre a obra inteira. Carrero diz que dá para avaliar se um livro é bom ou não, numa olhada rápida, simplesmente pela primeira frase – no máximo, o primeiro parágrafo. Aos aprendizes do ofício, ele chama atenção para a primeira sentença de um romance. Deve ser matadora. Agarrar o leitor, causar curiosidade.

Claro que é uma teoria  reducionista e Carrero a profere com toda a consciência, mas não deixa de ser um artifício para sentir uma obra. Tática muito válida levando em conta que ler leva tempo, artigo tão precioso e aparentemente escasso. Mas o pior é que eu nunca achei uma publicação que desmentisse essa teoria. Vamos a alguns exemplos de primeiros trechos:

“Ernst Spengler estava sozinho no seu sótão, já com a janela aberta, preparado para se atirar quando, subitamente, o telefone tocou.”

Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares. Matador, héin? E que o livro é bom eu já falei exaustivamente aqui.

“Em setembro de 1974, ao anoitecer, um pequeno avião bimotor, prateado e preto, aterrisou numa pista auxiliar do Aeroporto de Cogonhas, em São Paulo. Diminuindo a velocidade, fez uma curva e deslizou em direção a um hangar, onde uma limusine estava à espera.”

É o começo de outra obra sobre a qual eu comentei aqui, Os Meninos do Brasil, de Ira Levin, é assim: Capturou você? A mim, não, como escrevi. Só gostei do livro do ponto de vista histórico.

“- – – – – – estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.”

Pegando uma unanimidade como Clarice Lispector. Em A Paixão Segundo GH, a primeira frase é essa (com traços e tudo). Precisa nem dizer, né? E o livro eu amei.

“O eterno retorno é uma idéia misteriosa, e Nietzche, com essa idéia, colocou muitos filósofos em dificuldade: pensar que um dia tudo vai se repetir tão como foi vivido e que essa repetição ainda vai se repetir indefinidamente! O que significa esse mito insensato?”

É o comecinho com que Milan Kundera me sequelou em A Insustentável Leveza do Ser, que é daqueles que muita gente não leu, mas todo mundo já sabe que é bom.

Você concorda ou discorda com essa teoria? Qual é a primeira frase do livro que você está lendo? Conta nos comentários.

Foto de Vitor Sá.

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