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Literatura brasileira, os silêncios e as exclusões

Publicado por em 19/02/2013 | 6 comentários

Um estudo sobre a literatura brasileira divulgado ontem é literalmente um tapa na cara da sociedade, e sem luva de pelica. Regina Dalcastagnè é jornalista, doutora em teoria da literatura, professora e dedicou 15 anos à pesquisa que mostra o quanto ainda somos preconceituosos, machistas, patriarcalistas e como ainda estamos muito aquém do que acreditamos quando o assunto é aceitar as diferenças.

A pesquisadora se debruçou sobre “um total de 258 obras, correspondente à soma dos romances brasileiros do período entre 1990 e 2004, publicados pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco e identificados pelo grupo de pesquisa” (de artigo sobre a pesquisa). A pesquisa foi chamada “Eu quero escrever um livro sobre literatura brasileira”. Só para dar um exemplo, ela mostra que o personagem médio do romance brasileiro é um homem branco, heterossexual, intelectualizado, sem deficiências físicas ou doenças crônicas, membro da classe média e morador de grande centro urbano.

Com tantas informações interessantes, representadas no infográfico abaixo originalmente publicado no Ponto Eletrônico, há de se esperar um debate também no campo literário sobre o valor das diferenças e a importância de dar voz à nossa multiplicidade também nessa área cultural. E não acho que é o caso de apontar um ou outro autor porque ele segue o padrão, afinal a liberdade criativa merece respeito. A meu ver é o caso de coletivamente pensar e repensar como o nosso discurso de multiplicidade fica na superfície, a ponto de não ser refletido na nossa produção cultural.

Ah, o título do blog foi inspirado no nome de um livro da Regina pelo qual me interessei bastante.

Eu quero escrever um livro sobre literatura brasileira

Via Paulo.

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A triste radiografia da leitura no Brasil

Publicado por em 2/04/2012 | 9 comentários

Livro ou TV? Foto de Lubs Mary

O engraçado é que o brasileiro tem surpreendido o mundo em tantos aspectos. Desde o fato de eleger um presidente com a história de Lula, depois uma mulher, até os altos números sem tanta quando se fala em internet. O país tem o título de quinta maior população em redes sociais do mundo. No entanto, se o tema é educação, e principalmente, leitura, o problema só se renova.

Sim, estou falando da pesquisa do Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil. Um estudo que mostrou que, apesar de mais conectados, os brasileiros estão cada vez menos leitores. Apenas 50% da população pode ser considerada leitora, isso porque o conceito de “leitor” usado é bem amigável: ter lido 1 livro nos últimos três meses.

A grande média dessa meia população leitora é de 4 livros por ano. E os três mais citados têm teor religioso: a Bíblia, Ágape, do pe. Marcelo Rossi, e o best seller A Cabana. É sério. Foram mais de 5 mil entrevistados em 315 municípios.

 Retratos da Leitura no Brasil

Não, o preço não é o principal empecilho, segundo as entrevistas, e sim a falta de tempo e de interesse. Tanto é que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca. Falta de tempo a gente sabe que é falta de prioridade. Em vez de abrir um livro, há tempo para a atividade preferida que é? Assistir à TV. Ler é um ato que ocupa apenas o sétimo lugar no ranking da preferência.

Aí você pensa: mas se somos um povo tão conectado e lemos tão pouco, talvez um projeto de leitura digital venha bem a calhar. Pode até ser, mas com a consciência de que será um trabalho iniciado praticamente do zero porque a pesquisa mostra que 70% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre os livros digitais.

Mas o mais triste é que se achávamos ruim a situação há anos, no comparativo o retrato da leitura no Brasil piorou. No documento divulgado em 2008, a média de livros anualmente era um pouco maior, 4,7, e 7% nunca tinha frequentado a biblioteca, enquanto hoje são 10%.

Então, para onde caminhamos? E o que podemos fazer?

Foto de Lubs Mary.

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E-books ou livros em papel: quem lê mais?

Publicado por em 10/11/2011 | 5 comentários

Infographic: The Rise of E-Readers

A pergunta é boa, e a partir dela a GOOD e a Column Five fizeram uma parceira para obter uma resposta nos EUA, que veio em forma de infográfico. Quem lê mais? Os que preferem livros em papel ou os que possuem e-readers? De uma forma geral, o segundo grupo se saiu BEM melhor.

Entre as pessoas que leem menos de 1 livro por ano, apenas 1% usa e-reader, enquanto 22% não usa. Ao investigar o grupo que consome mais livros, tipo o dos leitores que chegam a finalizar entre 11 e 20 obras por ano, a pesquisa indica que 34% deles adotaram os leitores eletrônicos, e só 19% não consome e-books.

Os leitores digitais também ganham numa proporção parecida quando a pergunta é “quem compra mais livros?”. O infográfico completo e com detalhes pode ser visto no link original, dica de Dulce.

Gostaria de saber: vocês acham que possuindo um e-reader, leriam (ou leem, se já têm) mais?

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No Recife, só 20% usa o tempo livre para ler

Publicado por em 20/10/2011 | Deixe um comentário

Estátua do poeta Mauro Mota

O brasileiro costuma ler pouco. Todo mundo já sabe. Ainda assim, uma pesquisa comprovar isso na Região Metropolitana do Recife (RMR) é decepcionante. A gente sempre quer que os estudos surpreendam, principalmente quando o resultado esperado é ruim. Mas não foi o caso. Um professor da faculdade Fafire resolveu pesquisar o que as pessoas fazem com o tempo livre, e o resultado foi que apenas 20% abrem um livro.

O poeta Mauro Mota, cuja estátua dá graça à Praça do Sebo, no Centro do Recife, ficaria bem triste.

O paradoxo é que o mercado editorial brasileiro é um dos maiores do mundo, tudo por conta dos livros didáticos, o grande filão das editoras. Mas se somos um País que investe tanto em livros didáticos, que teoricamente são destinados à educação e à formação de leitores, por que se lê tão pouco aqui? Só uma das questões que surgem diante do assunto.

Mais algumas informações interessantes, fruto da pesquisa do professor Uranilson Carvalho, que entrevistou 700 pessoas com mais de 16 anos, em agosto deste ano, na RMR:

  • Ler vem depois de: sair com os amigos, ouvir música, ver tv e acessar a internet.
  • As mulheres têm mais costume de ler (23%) do que os homens (18%).
  • Quem tem mais estudo, dedica mais tempo à leitura >> Apenas 6% dos que estão no ensino fundamental lêem no tempo livre, enquanto entre os pós-graduados, o número sobe para 40%.
  • Quem ganha mais, se dedica mais aos livros >> 18% de quem recebe entre um e dois salários mínimos vêem o livro como uma forma de lazer. Entre os que ganham mais de 10 salários, o índice é de 38%.
  • 47% das pessoas responderam que não lêem porque não tem tempo, 20% não gostam, 19% não têm costume, 10% por preguiça e 2% porque acham o livro caro.

Via Livros e Pessoas.

Foto de Carlos Augusto/Prefeitura do Recife.

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O horror do mundo cresce ou diminui?

Publicado por em 14/04/2010 | Deixe um comentário

Queria que do meu estudo resultasse um gráfico – um único gráfico que resumisse, que permitisse estabelecer uma relação entre o horror e o tempo. Perceber se o horror está a diminuir ao longo dos séculos ou a aumentar. Se é estável. Repara que se descobrir que o horror tem uma certa estabilidade histórica, que mantém certos valores, digamos, de cinco em cinco séculos, se conseguir encontrar uma regularidade, estarei perante uma descoberta fundamental (…).

Ameba - Foto de Max Boschini

“Pretendo chegar à fórmula que resuma as causas da maldade que existe sem o medo, essa maldade terrível; quase não humana porque não justificada. (…) E tal como se vê nas folhas quadriculadas de um eletrocardiograma a saúde ou a doença de um homem, eu verei no gráfico, resultado dos meus estudos, a saúde e  doença, não de um único homem, não de um único indivíduo, mas dos homens no seu conjunto; do colectivo, da totalidade do mais relevante e objecto comportamento humano.”

Na digestão de Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, o trecho representa o que foi uma das coisas mais intrigantes da obra para mim: acompanhar os estudos de Thomas Busbeck, um psiquiatra que decidiu se debruçar sobre a História da humanidade para responder a essa pergunta que, diante de tanta violência, todo mundo se faz.

O personagem chega a uma conclusão, inclusive traça uma tabela onde aponta nações que sofrerão massacres no futuro ou o realizarão, causando grande polêmica e… não farei mais spoiler literário :) Para mim, essa é uma daquelas grandes perguntas cuja verdadeira resposta dificilmente virá à tona um dia.

Foto de Max Boschini

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