Posts com a tag "paris"

Ilustrações de viagem: Paris e Oscar Wilde

Publicado por em 19/09/2012 | Um comentário

They Draw and Travel Shakespeare & Co.

O They Draw and Travel é um site pra deixar as pessoas mais felizes, cheio de ilustrações lindas dos lugares do mundo. Artistas de todo o mundo se inspiram e criam mapas com locais que consideram especiais dentro de cada cidade. Então Dulche viu por lá esses dois mapas que têm tudo de #menos1naestante, e ambos são de <3 Paris <3. Sei que é um pouco clichê dizer isso, mas Paris tem esse feitiço lançado em quem a conhece: não pode ver nada de lá, que fica morrendo de saudades da cidade. O primeiro é um "They Draw and Travel" da brasileira Mariana Cristal Hui, que gira em torno da Shakespeare & Co., uma livraria símbolo da cidade sobre a qual já falei muito por aqui.

They Draw and Travel Oscar Wilde

O outro mapa é a ilustração da Paris de Oscar Wilde, destacando pontos que têm conexão com o escritor, como o Café de La Paix, que ele frequentava, e o L’Hôtel d’Alsace, que serviu de moradia para o autor. Esse aí é da polonesa Joanna Gniady. Dá pra resistir?

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Invasão dos livros no Museu do Louvre

Publicado por em 11/06/2012 | Um comentário

Exposição Livre/Louvre em Paris.

Por Dulce Reis

Quando fui ao Museu do Louvre, no dia 25 de maio, lembrei imediatamente de Márcia e do Menos um na estante. A exposição temporária Livre/Louvre [no português, seria Livro/Louvre] tem tudo a ver com a dona do blog. Livros, livros e mais livros. A mostra criada pelo escritor belga Jean-Philippe Toussaint realmente chamava a atenção de quem passeava pelo museu. Entre uma sala e outra da ala da pintura francesa, os visitantes tomavam um susto com os vídeos, neons e tablets.

Até vi gente tirando onda. “Essa pintura capta muito bem a realidade”, disse um rapaz em tom de ironia a uma moça que o acompanhava sobre uma fotografia que toma quase uma parede inteira. Na imagem, uma sala do Louvre cheia de livros e com algumas pessoas lendo. Acho que esses dois não estavam gostando da ideia da exposição Livre/Louvre estar perto demais das obras de Delacroix, Ingres, Goya, Renoir…

Mas até para estas pessoas, a mostra tinha algo a apresentar. Em uma das paredes, foram reunidas imagens de livros fotografadas de várias outras obras de arte.

Livros em obras de arte. Exposição Livre/Louvre em Paris.

Exposição Livre/Louvre em Paris

Numa outra salinha da exposição está o resultado do projeto Ils Lisent. Toussaint reuniu sete amigos e os colocou para ler dentro de uma cabine. Eles usaram um capacete acoplado a um aparelho (não sei se é de tomografia…) e os filmou enquanto liam. O resultado está exposto. Tanto as imagens das “cobaias”, quanto dos seus cérebros e a cabine.

Exposição em Paris.

Outra parte da exposição que gostei foi L’Univer, em que uma sala, quase um corredor, tem o teto todo estrelado e as paredes cheias de neons. Entre uma piscada e outra, dá para ver a palavra livro em várias línguas.

Bom, o resto, vocês podem ver nas fotos. A mostra já vai sair de cartaz no próximo dia 11 de junho. [hoje]

Todas as fotos são de Dulce.


Depois de colaborar tanto com os melhores links para o blog – vocês não têm noção, eu que não consigo transformar tudo em post -, Dulche apareceu por aqui de “carne e osso”, deixando o Menos um com muito mais glamour. Imagina, a pessoa estar em Paris e lembrar do bloguinho, com foto e tudo? Também fiquei feliz que só com a contribuição.

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Para se deixar seduzir pela menina má

Publicado por em 21/01/2012 | 2 comentários

 

Capa do livro "Travessuras da menina má", de Mario Vargas Llosa

O mérito de estar no título da obra de Mario Vargas Llosa não é à toa. A menina má é fascinante. Quando a gente termina a última página do livro, percebe que desenvolveu por ela um sentimento tão doentio quanto o que nutre Ricardito, o peruano narrador da história. Uma mistura de “Ufa, me livrei!” com “E agora, o que é que eu faço?”.

Em Travessuras da menina má (Alfaguara, R$ 47,90), o trunfo na manga de Vargas Llosa é a super construção do personagem. Digo isso porque é difícil pensar alguma situação, algum problema que não tenha acontecido ao longo da vida dessa moça. E ainda assim ela não se torna inverossímil, é até possível imaginar que existe por aí mulher tão intensa, sequelada e sedutora.

“Falava sem deixar de sorrir, movendo a boca com uma brejeirice mais refinada que antes. Contemplando seus lábios marcados e sensuais, arrulhado pela música de sua voz, tive um desejo enorme de beijá-la. Senti um aperto no coração.”

O livro conta a vida de Ricardito, um peruano cuja grande ambição era morar em Paris. O problema é que na adolescência, ele se apaixona por uma chilenita caliente, de ombros soltos e olhos dissimulados sedutores. A verdade não é a especialidade da garota, que desaparece da vida dele. Afinal, as ambições dela são muito maiores, um empecilho para uma história de amor como a gente vê nos filmes.

“E, com sua personalidade gélida, não hesitava em me procurar, convencida de que não havia dor, humilhação, que ela, com seu poder infinito sobre os meus sentimentos, não fosse capaz de apagar em dois minutos de conversa.”

Em vários momentos, em situações diversas, em lugares inusitados, eles se separam e se reencontram, vivendo tórridos dias ou horas de romance. Ou só de sexo, sempre diferente, do tipo gato-e-rato, do tipo rindo, e em meio às mais exdrúxulas situações. Ele, sempre um apaixonado imbecil e obssessivo, a menina má sempre misteriosa e distante. E apesar das situações psicológicas complexas, o livro poderia até ser monotemático, mas está muito longe disso.

Há a política, com as descrições dos bastidores das revoluções do Peru e os movimentos de esquerda da França. Há as amizades intrigantes de Ricardito e há o turismo literário, onde o guia é Vargas Llosa apresentando peculiaridades e recantos de cidades da Europa, como Paris e Londres, sem falar em Tóquio. De forma que a sensação é a de acompanhar uma espécie de saga das relações humanas e da vida política na época.

Café Les Deux Magots, em Paris

Particularmente, tudo de Paris me saltou aos olhos, pois quando comecei a ler a obra, estava de viagem marcada para lá. E na volta, foi especial reconhecer ali alguns lugares que pude visitar ou apenas ver. Como o Café Les Deux Magots, super tradicional, famoso porque era frequentando por Hemingway, é onde acontecem alguns encontros entre a menina má e Ricardito.

Fotos de MuddyRavine.

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Granada-Barcelona-Paris, das andanças e dos livros

Publicado por em 8/12/2011 | Deixe um comentário

Paris

Quando eu entrei no avião, uma das poucas coisas consistentes do roteiro que eu tinha preparado era a intenção de visitar um lugar “Menos um na estante” que fosse, entre Espanha e França. Porque quando se faz uma viagem dos sonhos dessa, por tão pouco tempo, com a aspiração de absorver um continente inteiro e decidindo em conjunto com mais três pessoas, é difícil ter certeza de qualquer coisa.

Depois eu descobri que teria isso mesmo sem planejar, porque é assim que eu senti a relação com os livros por aquelas bandas: um movimento natural. A minha primeira parada foi em Granada, uma das cidades mais lindas da Espanha. Bom, em tese eu não teria como dizer isso, pois só a conheci e espiei Barcelona. Só que é uma cidade tão acolhedora e encantadora que eu mentiria por ela.

E aí que, entre um bar e outro, experimentando “tapas” (petiscos que acompanham as rodadas de bebidas), terminamos num dos lugares preferidos da minha amiga que mora lá, o Poë. Um pub charmoso onde as pessoas se apertam entre um gole e outro. E, não – eu perguntei! -, não é uma homenagem ao Edgar Allan, é o nome de família do dono.

Apesar disso e do pouco espaço, tinha lá no cantinho uma estante abarrotada de livros e o cartaz: “Books for sale: € 1”. Imagina, você toma uma e leva um livro pra ler no dia seguinte pelo equivalente a… R$ 2,50? Coisa linda demais.

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Ganhando um pedacinho do mundo

Publicado por em 19/11/2011 | Deixe um comentário

Torre Eiffel - Paris

Queridos leitores do Menos um na estante, estou prestes a entrar no avião para ficar fora do País uns nove dias e não poderia deixar o blog ao léu sem dizer nada.

Por uma dessas coisas boas que a vida apronta, juntando sorte, desfalque na poupança, coincidências e boa vontade, consegui me juntar a amigas de uma vida para uma viagem inesquecível – assim mesmo, bem clichê, que às vezes é bom -, para Espanha e França.

Portanto, não terá novidades por aqui durante alguns dias, mas não nos esqueçam, pois farei o possivel para trazer na bagagem bons posts de livros & literatura, a partir do que verei. Tipo, uma cobiçada visita à livraria parisiense Shakespeare & Company, como bem lembrou o Bonifacio, no Twitter.

Até logo :)

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Sobre cinema, Meia-Noite em Paris e Dorian Gray

Publicado por em 3/07/2011 | 2 comentários

Cena do filme "Meia noite em Paris"

Hoje é domingo, dia de cinema (como todos os dias). Amo filmes, assim como livros, café e outras coisas, e não tem essa semana em que eu não veja um. Embora goste e estude crítica cultural, me permito ter uma relação bem mais leve com a sétima arte: ver, curtir e ficar satisfeita. O filme não tem que dar um novo sentido à vida, sou fã de comédias românticas, filmes de ação, suspense, super-heróis. Só não pode fazer a gente de idiota.

Quando o filme é denso, fica remoendo na cabeça, faz pensar sobre a vida, levanta questões para discutir na mesa de bar ou num café, também é uma delícia (ou até doloroso). Como eu sou desmemoriada, um grande critério de avaliação é eu lembrar do filme depois de um tempo. Nem que seja de uma cena, um personagem, uma ideia. E eu duvido que eu vá esquecer de Meia-noite em Paris.

É difícil eu não gostar de filmes de Woody Allen, porque eles sempre abordam relacionamentos, colocam uma lupa nas pequenas coisas, e são cheios de referências interessantes. Mas esse é especial, porque é pra se encantar. É o deslumbre por Paris – as luzes, as ruas, os hábitos -, pela inspiração artística que a cidade e seu imaginário trazem, pelo movimento cultural da capital francesa dos anos 20 (leia ótima matéria no Jornal Opção).

Owen “nariz torto” Wilson vive Gil, um roteirista de Hollywood cujo sonho é ser escritor (acabo de me lembrar do George RR Martin, ex-roteirista de TV e agora autor da saga Game of Thrones). Ele visita Paris com a noiva, e encontra não só inspiração, amor, mas também grandes nomes da literatura, música, artes plásticas do começo do século, de uma maneira que só assistindo para entender. Imagina tomar uma com Hemingway? Curtir a festa do casal Zelda e Scott Fitzgerald, tergiversar com Luis Buñel, saber as opiniões de Gertrude Stein, Cole Porter, Pablo Picasso, Salvador Dalí. Enfim, vale a pena cada $$ da entrada.

Outro filme literário em cartaz nos cinemas é a adaptação de O Retrato de Dorian Gray, clássico do Oscar Wilde de 1890. Na verdade, a décima adaptação. Você já viu alguma? Pretendo conferir, mas sem tantas esperanças de ver um bom filme (esse cartaz aumentou meu preconceito), embora ele conte com o Colin Firth (O Discurso do Rei) num papel secundário. O triste é que o longa, dirigido por Oliver Parker, é de 2009 e só estreou no Brasil agora.

“Percebeu que ficaria louco ou doente, se continuasse pensando no que havia acontecido. Pecados havia cujo fascínio era maior pela recordação do que pelo ato em si mesmo (…) Mas aquele não era desse tipo. Era uma lembrança que devia apagar de sua mente, adormecê-la com ópio, aniquilá-la enfim, mas não se deixar aniquilar por ela.”

Trecho do único romance de Oscar Wilde, que li há uns dez anos e gostei muito. É uma história pesada, sobre um jovem bem posicionado na sociedade, que vive de glamour, e arruma um jeito sombrio de manter sua beleza física intacta enquanto, por dentro, definha. O personagem é complexo, e explora bem essa tensão, que vivemos, conscientemente ou não, entre o que somos e que aparentamos ser. E tendo como pano de fundo, toda a rigidez e mistérios de uma Inglaterra no século 19.

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