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O que você está lendo? #instamission34

Publicado por em 17/09/2011 | Deixe um comentário

Para quem não conhece, o #Instamission é um projeto criativo da @daniarrais e da @luizavoll, que lança temas e estimula as pessoas a fotografarem o que elas pensam dele, usando o app para iPhone Instagram (aquele dos filtros retrô). O resultado é simpático demais, reunindo imagens bonitas, inspiradoras, divertidas e outros adjetivos felizes pela hashtag.

Eis que o tema do #instamission34 é: fotografe o que você está lendo. E eu achei tão @menos1naestante, que acabei trazendo algumas imagens para cá. Legal para não só pelo voyeurismo de espiar as leituras das pessoas, como servem de ideias para as suas próximas leituras.

Pela ordem das fotos:

  • @clarrissag está lendo A Lentidão, de Milan Kundera.
  • @antonioguedexA fraction of the whole – a novel, de Steve Toltz.
  • @drispaca está lendo Fotojornalismo: uma abordagem profissional.
  • @gabisampaio está lendo a HQ The Sandman: World’s End, de Neil Gaiman.
  • Eu, @marcialira, A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris.
  • @meninices está lendo Um dia, de David Nicholls.
  • @kindacore relê Extremamente alto & Incrivelmente perto, de Jonathan Safran Foer.
  • @midiiirceTravessuras de mãe, de Denise Fraga.

Se alguma das fotos é sua e você não quer que ela permaneça nesse post, é só me avisar pelos comentários ou pelo marcialira@gmail.com que eu tiro.

E quem também quiser está participando do #Instamission34 e quiser que eu coloque a foto aqui, é só avisar pelos mesmos caminhos. Também aceito fotos do Molome, o Instagram do Android :)

Boa leitura.

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Sobre cinema, Meia-Noite em Paris e Dorian Gray

Publicado por em 3/07/2011 | 2 comentários

Cena do filme "Meia noite em Paris"

Hoje é domingo, dia de cinema (como todos os dias). Amo filmes, assim como livros, café e outras coisas, e não tem essa semana em que eu não veja um. Embora goste e estude crítica cultural, me permito ter uma relação bem mais leve com a sétima arte: ver, curtir e ficar satisfeita. O filme não tem que dar um novo sentido à vida, sou fã de comédias românticas, filmes de ação, suspense, super-heróis. Só não pode fazer a gente de idiota.

Quando o filme é denso, fica remoendo na cabeça, faz pensar sobre a vida, levanta questões para discutir na mesa de bar ou num café, também é uma delícia (ou até doloroso). Como eu sou desmemoriada, um grande critério de avaliação é eu lembrar do filme depois de um tempo. Nem que seja de uma cena, um personagem, uma ideia. E eu duvido que eu vá esquecer de Meia-noite em Paris.

É difícil eu não gostar de filmes de Woody Allen, porque eles sempre abordam relacionamentos, colocam uma lupa nas pequenas coisas, e são cheios de referências interessantes. Mas esse é especial, porque é pra se encantar. É o deslumbre por Paris – as luzes, as ruas, os hábitos -, pela inspiração artística que a cidade e seu imaginário trazem, pelo movimento cultural da capital francesa dos anos 20 (leia ótima matéria no Jornal Opção).

Owen “nariz torto” Wilson vive Gil, um roteirista de Hollywood cujo sonho é ser escritor (acabo de me lembrar do George RR Martin, ex-roteirista de TV e agora autor da saga Game of Thrones). Ele visita Paris com a noiva, e encontra não só inspiração, amor, mas também grandes nomes da literatura, música, artes plásticas do começo do século, de uma maneira que só assistindo para entender. Imagina tomar uma com Hemingway? Curtir a festa do casal Zelda e Scott Fitzgerald, tergiversar com Luis Buñel, saber as opiniões de Gertrude Stein, Cole Porter, Pablo Picasso, Salvador Dalí. Enfim, vale a pena cada $$ da entrada.

Outro filme literário em cartaz nos cinemas é a adaptação de O Retrato de Dorian Gray, clássico do Oscar Wilde de 1890. Na verdade, a décima adaptação. Você já viu alguma? Pretendo conferir, mas sem tantas esperanças de ver um bom filme (esse cartaz aumentou meu preconceito), embora ele conte com o Colin Firth (O Discurso do Rei) num papel secundário. O triste é que o longa, dirigido por Oliver Parker, é de 2009 e só estreou no Brasil agora.

“Percebeu que ficaria louco ou doente, se continuasse pensando no que havia acontecido. Pecados havia cujo fascínio era maior pela recordação do que pelo ato em si mesmo (…) Mas aquele não era desse tipo. Era uma lembrança que devia apagar de sua mente, adormecê-la com ópio, aniquilá-la enfim, mas não se deixar aniquilar por ela.”

Trecho do único romance de Oscar Wilde, que li há uns dez anos e gostei muito. É uma história pesada, sobre um jovem bem posicionado na sociedade, que vive de glamour, e arruma um jeito sombrio de manter sua beleza física intacta enquanto, por dentro, definha. O personagem é complexo, e explora bem essa tensão, que vivemos, conscientemente ou não, entre o que somos e que aparentamos ser. E tendo como pano de fundo, toda a rigidez e mistérios de uma Inglaterra no século 19.

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Turbilhão endiabrado

Publicado por em 20/05/2011 | Deixe um comentário

“Lily dançava num ritmo saboroso e cheio de graça, sorrindo e cantarolando a letra da canção, erguendo os braços, mostrando os joelhos e balançando a cintura e os ombros de tal maneira que todo o seu corpinho, modelado com tanta malícia e tantas curvas pelas saias e blusas que usava, parecia se encrespar, vibrar e participar do baile dos pés à cabeça. Quem dançava um mambo com ela sempre saía mal porque, como acompanhá-la sem se atrapalhar no turbilhão endiabrado daquelas pernas e pezinhos saltitantes?”

Dançarina - Foto: cobalt123

Hoje é sexta-feira, é dia de dançar assim, loucamente, como se não houvesse amanhã. O trecho é do Travessuras da menina má, do Mario Vargas Llosa. Eu ainda não cheguei à metade, mas há fortes indícios de que a Lily da dança endiabrada é a menina má do título do livro. Veremos.

Foto do Cobalt

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Resenha | Um livro dentro de um livro olhando pra outro livro

Publicado por em 3/05/2011 | Um comentário

colaboração especialíssima de Catarina Cristo

William Burroughs - Foto: Robert Mapplethorpe

Burroughs, um beat, fotografado por Robert Mapplethorpe que, ao lado de Patti Smith, são os personagens de Só Garotos

Quem gosta de livro é assim, vive pendurado nas newsletters das lojas on-line atrás de descontos e avisos de “frete grátis”. Quando aparecem, eu geralmente compro mais de um. E, numa deliciosa conincidência, dois livros que para mim não estavam relacionados vieram conversar na minha estante. E, também por acaso, escolhi lê-los na ordem certa e um acabou fazendo referência ao outro, colocando um livro dentro do livro e esse olhou para outro livro. Vamos a eles.

Os Beats (Benvirá, 2010) me apareceu num folhetinho de propaganda de natal de uma livraria. Recortei as capinhas dos livros que eu queria comprar, colei na agenda e guardei pra não esquecer. Esse título reúne duas paixões minhas: a geração Beatnik e Harvey Pekar.

Capas dos livros "Os Beats", de Harvey Peakar, e "Só garotos", de Patti Smith

Os Beats foram uma descoberta do fim da adolescência, nas estantes dos meus tios e na Biblioteca do CAC (Centro de Artes e Comunicação da UFPE, onde estudei) e me encantei mais com o espírito do que com as estórias: quebrar regras, sair da mesmice, testar limites, dar vazão aos instintos. Os Beats faziam isso no dia a dia e também na literatura. Foi minha “iniciação”, foi minha permissão pra arriscar, minha versão do punk.

De Harvey Pekar, eu tinha ouvido falar tanto e nunca tinha podido comprar. Já tinha visto American Splendor, já tinha lido sobre a amizade dele e de Robert Crumb mas as Hqs eram caras. Até que uma promoção numa loja on line (sempre elas) com vários títulos a R$ 10 trouxe ele aqui pra casa. Dá pra ler como se um amigo lhe contasse histórias e quando Crumb desenha pra ele as histórias ficam perfeitas. Tem sarcasmo, ironia e nenhuma autopiedade no texto de um e no traço do outro e eles juntos são, definitivamente, uma obra de arte.

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Rubião + Vargas Llosa: testando leituras simultâneas

Publicado por em 1/05/2011 | 2 comentários

Capas dos livros "A Casa do Girassol Vermelho", de Murilo Rubião, e "Travessuras da menina má", de Mario Vargas Llosa

Boa parte das pessoas que eu admiro na minha profissão ou na literatura se gabam de ler vários livros ao mesmo tempo. E eu sempre duvidei da eficácia disso. Porque ler, ao meu ver, merece um pouco mais de lentidão mesmo. Pede que você saboreie umas páginas e carregue aquelas palavras, pensamentos, personagens para onde for. Sabe quando você está trabalhando e a concentração escapa? Aí vem à cabeça aquele trecho que lhe marcou no livro. Leitura boa pra mim é essa que começa a fazer parte do dia a dia.

Não sei se ser multitarefa assim na leitura permite essas coisas. Mas eu confesso que é mais uma dúvida querendo que alguém me convença de que é possível e válido dar conta de 50 livros ao mesmo tempo. Porque, talvez, eu consiga ficar menos frustrada com as coisas que não tenho conseguido ler. Então, comecei a testar isso de uma forma bem natural.

Trecho do livro "Travessuras da menina má", de Mario Vargas Llosa

É que estou lendo os contos da literatura fantástica de Murilo Rubião, na coletânea A Casa do Girassol Vermelho, preparação para a minha monografia. Sendo que eu comecei a pensar muito, muito em Travessuras da menina má, de Vargas Llosa (trecho acima para o #grifeinumlivro), então percebi que era hora. Minha ideia é ainda acrescentar alguma leitura ligada ao meu trabalho, sobre internet, marketing, mídias sociais. Depois conto se deu certo.

E vocês, que acham da leitura simultânea?

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Pode me chamar de Admirável Mundo Novo

Publicado por em 17/03/2011 | Deixe um comentário

"O Brave New World (That Has Such People in It)" - Ramsey Arnaoot

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, fala de um mundo que eu espero nunca ver. Na narrativa, os livros são todos queimados e, para preservá-los, as pessoas escolhem um e o decoram palavra por palavra, passando a atender pelo título da obra. Então o Alessandro Martins, do Livros e Afins, propôs uma blogagem coletiva para hoje: se você fosse um livro em Fahrenheit 451, qual seria?

Não precisei pensar muito sobre o assunto para concluir que não deixaria o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, se extinguir do mundo. Sim, eu o decoraria palavra por palavra (ainda bem que é uma situação fictícia, pois minha memória é péssima!). É uma daquelas obras que você pensa: putz, não poderia passar pela vida sem tê-la lido.

Escrita em 1932, a obra de Huxley descreve uma sociedade no futuro onde as pessoas vivem em castas pré-determinadas na fecundação, pois elas são condicionadas biologicamente. No nascimento, elas também recebem intruções psicológicas e há a droga soma, cujo uso é indicado sempre que surgirem as totalmente inaceitáveis emoções: insegurança, medo, felicidade ou atitudes impulsivas como dar vazão ao amor.

É um mundo muito louco, mas não precisa pensar demais para encontrar inúmeras analogias com o que vivemos hoje. Não à toa, o livro serviu de inspiração para cinema, música, mais literatura. O Iron Maiden tem álbum e música chamados Brave New World, The Strokes tem música de nome Soma. O filme Equilibrium tem forte inspiração na história, bem como faz O Demolidor, com Stallone.

Ilustração criada por Ramsey Arnaoot

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Tempo Bom e o prazer em conhecer os novos

Publicado por em 9/03/2011 | Deixe um comentário

Uma das melhores coisas de ler Tempo Bom foi conhecer autores que poderiam ter passado despercebidos por mim. Fato que só aumenta o valor dessa coletânea que já nasceu cheia de dignidade. Com contos gentilmente cedidos pelos escritores e processo editorial feito na camaradagem, o livro foi lançado e vendido com renda revertida para as vítimas das enchentes em Pernambuco.

Alguns dos integrantes eu sabia que deveria conhecer, e em outros eu realmente não tinha ouvido falar. Engraçado que a coletânea conta com histórias de Xico Sá, Fernando Monteiro, Raimundo Carrero, Alberto Mussa, Marcelino Freire, mas foi mesmo nos nomes menos famosos que eu me deleitei. Sendo menos famosos, claro, um conceito muito particular, pois um deles já foi finalista na categoria “autor estreante” no Prêmio São Paulo de Literatura, em 2009: Rinaldo de Fernandes. Autor de vários livros, ele escreveu O Cavalo, um dos contos que mais me chamou a atenção.

Cavalo - Foto: Eduardo Amorim

Um dos motivos é a afinidade com o ponto de vista do narrador, que exerce o voyeurismo do alto de um apartamento. Eu, depois de toda uma vida de casa, há pouco passei a morar no nono andar, e tenho achado impressionante a facilidade que é observar as pessoas na rua sem elas se darem conta. O conto tem uma briga de casal com um cavalo no meio, numa dose interessante de estilo e elementos fantásticos.

Outro interessante é Ernest, do baiano Gustavo Rios. Em meio a todos os clichês de uma festa de família, um sujeito velho e amargo desfila suas insatisfações e lembranças sexuais reavivadas por um copo de whisky:

“Tinha certeza que o sol derretido, o mar distante, afinal, morava num desses conjuntos habitacionais, austeros, onde se socam famílias inteiras em caixas de concreto, de janelas minúsculas, de telhados incertos, de ruas largas com poucas árvores, pois esse lugar lhe trazia o medo de estar morto sem saber”.

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Antes do baile

Publicado por em 7/03/2011 | Deixe um comentário

“- Você já se enganou uma vez – atalhou a jovem. – Ele não pode estar morrendo, não pode. Também estive lá antes de você, ele estava dormindo tão  sossegado. E hoje cedo até me reconheceu, ficou me olhando, me olhando e depois sorriu. Você está bem, papai?, perguntei e ele não respondeu, mas vi que entendeu perfeitamente o que eu disse.
– Ele se fez de forte, coitado.
– De forte, como?
– Sabe que você tem o seu baile, não quer atrapalhar.”

Máscara do carnaval de Veneza - Foto de Nwardez

Trecho do conto de Lygia Fagundes Telles, Antes do Baile Verde, integrante de uma coletânea de mesmo nome. Pensei em Carnaval na literatura e lembrei dele, que tem direito a saiotes, marchinhas, palhaços e lantejoulas. É tão colorido e tão triste, tão intenso como podem ser esses quatro dias de festa. E posto ele aqui a alguns instantes de me arrumar pra o desfile do Amantes de Glória, no Bairro do Recife, um bloco cuja cor principal também é verde.

Foto de NWardez

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