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O Hobbit, o filme depois do livro

Publicado por em 7/01/2013 | 4 comentários

O Hobbit

É estranho, mas as coisas boas e os dias agradáveis são narrados depressa, e não há muito que ouvir sobre eles, enquanto as coisas desconfortáveis, palpitantes e até mesmo horríveis podem dar uma boa história e levar um bom tempo para contar.”

Trecho de O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, a minha atual leitura, que estou curtindo bastante. Apesar de ser uma experiência estranha ler depois de ter visto o primeiro filme. Eu já sei uma parte da história, e aí fico só comparando com o que vi no cinema, e muitos detalhes são diferentes. O que me leva a pensar o porquê de a produção mudar coisas pequenas, que aparentemente não fariam diferença.

Gostei muito do filme, mas odiei o fato de terem transformado um único livro em três filmes (a saga só acaba em 2014 :/). É comercialmente descarado demais. A única coisa boa é que logo vou chegar na parte da leitura onde o primeiro filme acaba, e aí sim estarei lendo sem pré-julgamentos.

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Em & Dex: os dias de duas vidas de verdade

Publicado por em 5/09/2012 | 4 comentários

Um Dia, David Nicholls

Tenho tido dificuldades de escrever aqui sobre os livros que gosto, não entendo bem porquê. A culpa pode ser da internet. Com tantas informações e rapidez, talvez esteja diminuindo meu cérebro. Outra hipótese é eu estar perdendo o costume de escrever textos longos. Ou porque é difícil gostar muito de um livro e conseguir explicar com um porquê à altura.

O fato é que eu não poderia deixar o Menos um na estante sem o registro de como Um Dia, do David Nicholls, é um livro lindo. Tem quem ache fraco, bobo, água com açúcar, e todos os adjetivos que best-sellers ganham de cara junto com o título de best-seller. Diria que Um Dia é um livro simples, como a vida de alguém que nasce, vive e morre, com poucas particularidades.

Para continuar, recomendo dar o play na mixtape que o próprio Nicholls criou:

Ou poderia chamar de comédia romântica literária, com tudo o que o termo traz de mais nobre e levando em conta que eu sou uma grande fã do gênero. Acredito que o termo caiu na esparrela: é automaticamente associado a um filme ruim, e isso me soa injusto. Mas um dia estudarei isso e farei uma verdadeira defesa.

Ao abordar 20 anos do relacionamento de Emma e Dexter, Nicholls consegue que todo mundo se identifique em algum momento. Só que a narrativa funciona de uma forma particular, em recortes. Tudo começa no dia 15 de julho de 1988, um dia que mudou a vida dos personagens, o dia em que eles se conheceram. E aí para pegar o espírito da coisa, não tem melhor do que a epígrafe que o autor escolheu a dedo para abrir a obra:

Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido o seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.

Charles Dickens, em Grandes Esperanças.

A partir de então, Emma e Dexter são revelados pra gente em todo dia 15 de julho. Cada capítulo, um ano diferente. Os pensamentos dele, os anseios dela, as frustrações, os encontros e as brigas, a busca pelos sonhos, a falta de vontade de viver, de rumo, e essas coisas que, bom ou não, fazem parte da vida.

As limitações da narrativa são interessantes à medida em que deixam pouca coisa explicada, e muita subentendida. E de acompanhar um pedaço tão grande da vida dos dois, é impossível não se afeiçoar, principalmente a Emma Morley. Não sei se acontece do mesmo jeito com todo mundo, mas ela é uma personagem encantadora, com uma grande vida comum. Aliás, acredito que isso é o que eu mais gostei no livro: é vida real.

“Não, esta era a vida real, e era normal não se sentir mais tão curiosa ou apaixonada como no passado. Aos trinta e oito anos, seria inapropriado, indigno, ter amizades ou casos de amor como o mesmo entusiasmo e intensidade de uma garota de vinte e dois.”

Ah, o filme (veja o trailer) com Anne Hathaway é legal, mas não chega nem aos pés. Curti acima da média, imagino, só pela sensação de ver toda aquela história “se mexendo”.

Leia também: Emma comprova: escrever não é fácil.
Leia também: Sobre previsibilidade.

Dê uma olhada no meu tímido álbum de lidos em 2012.

Foto: Márcia Lira. Mixtape: dica de Célia Lins.

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Frisson do momento: Fracasso de Público

Publicado por em 23/07/2012 | 6 comentários

Grande leitora de quadrinhos eu não sou, mas de vez em quando curto fazer umas incursões. Os fãs de quadrinhos que me lerem vão me achar uma boba, mas fico ainda super-ultra-deslumbrada quando eles são sobre a vida real. Os resquícios de quem passou a infância toda lendo Turma da Mônica e sendo feliz. O deslumbre foi assim com Maus, do Art Spiegelman, que é absurdo de bom ao contar a história de uma família judia em meio ao holocausto. E aí me deparo também com a série Fracasso de Público (no original, Box Office Poison), do Alex Robinson, dividida em três volumes: Heróis Mascarados e Amigos Encrencados, Desencontro de Titãs e Adeus.

Só comecei a ler por causa de Rick, o craque de cinema do A Prancheta, que insistiu em me emprestar os dois primeiros volumes por causa de Sherman, o personagem livreiro. Devorei os dois e ontem corri na livraria pra comprar o Adeus, já um pouco saudosa. Depois de ler o terceiro livro, vou falar com propriedade aqui. Mas até agora a melhor definição para a série, eu encontrei na contracapa de um deles: “Um épico do cotidiano”. Recomendadíssimo. Entendam melhor vendo o trailer do primeiro livro acima, e Sherman pensando alto sobre seu relacionamento, abaixo.

Sherman em Fracasso de Público

Valeu, Rick!

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Para se abraçar com Inverdades

Publicado por em 26/06/2012 | Deixe um comentário

Inverdades no iPad

Quando eu vi, tinha topado fazer a revisão. Fazia tempo que a gente conversava sobre escrever, ele falava sobre o novo projeto, eu tinha curiosidade. Tinha acabado de ler o primeiro título de Alex Luna, Elas e Outras Histórias, e achado legal. Um jeito muito peculiar de contar o amor e suas mulheres, as agruras e as delícias dos relacionamentos, todo tipo de referências. Mas eu sabia que tinha muito mais coelho pra sair desse mato. Então eu comecei a revisão do livro que quase se chamava Mentirinhas.

Bom, eu nunca revisei um livro. Tirei da minha gaveta a experiência de editar matérias do tempo de jornal e o que tinha aprendido sobre o que é e como se faz uma boa literatura. Com isso, tentei fazer algo útil. Quando mandei as primeiras revisões e Alex adorou, eu me empolguei pra ir em frente e me senti à vontade para dar ideias. Tarrask, como é mais conhecido, diz que fez muita diferença. Eu só acho que ajudei a dar um polimento no que já era bem bom.

Saiu o Inverdades: pequenas manifestações divinas em folhas de chá, marcas de sangue e manchas de batom. Um aposto auto-explicativo, uma edição digital com capa e ilustrações lindas da Cristina Santos. Faz um tempo que o e-book foi lançado, nem eu entendo como demorei tanto a contar por aqui. Acho que é a dificuldade de falar quando o envolvimento é grande (acabei de lembrar que nunca esmiucei a minha monografia sobre literatura fantástica por aqui).

Trecho de Eurídice

São 16 contos com temáticas diferentes, abertos por um prólogo genial, costurados pela escrita de Alex e pelas referências a músicas e à mitologia grega. Pouco pude aproveitar desta última, por conta dos meus conhecimentos limitados. Mas achei interessante me debruçar sobre os trechos de canções, muitas que marcaram infância e adolescência, por causa dos significados diferentes que ganham ao final do conto.

Os textos são quase sempre interessantes, mas há momentos especiais pra mim. A obssessão de Abraão repudia Agar, o desfecho nelson rodrigueano de São Jerônimo Penitente,  as atitudes redentoras de A história de Jonas, só para citar alguns. Fica difícil dizer o quanto a literatura de Alex amadureceu, só consigo pensar que o Inverdades dá à luz um escritor. Conheçam e me digam depois se concordam.

O Inverdades está disponível na Amazon por U$S 2,99.

PROMOÇÃO

Vejam que legal, Alex cedeu três cópias para eu sortear entre os leitores do Menos um na estante. Para participar, siga @menos1naestante no Twitter, e depois tuíte a seguinte frase (com o link).

 

Quero ler o novo Inverdades, do @tarrask, vou ganhar o e-book do @menos1naestante —> http://kingo.to/17WA

 

O prazo era hoje, quinta-feira, mas o Sorteie.me entrou em manutenção e prometeu voltar às 17h. Então as participações serão até sexta-feira, meio-dia, quando vai ocorrer o sorteio. Participem!

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Woody Allen indica: os cinco livros preferidos

Publicado por em 2/05/2012 | 4 comentários

Woody Allen

Estamos no quinto mês do ano, e daqui a pouco acaba o primeiro semestre. Um pouco de terrorismo para perguntar sobre aquela lista de livros que você prometeu ler em 2012. Ainda está de pé? Sobre a minha, se fosse uma competição, eu perderia fácil, mas continuo jogando. E se você está meio perdido sobre o que ler agora, que tal o top 5 do mestre Woody Allen? Você pode até não gostar dos filmes dele, mas que ele tem super bom gosto – vide referências nos filmes -, ninguém pode negar. Dá uma olhada nos preferidos dele.

1. The Catcher in the Rye, de JD Salinger (1951)
2. Really the Blues, de Mezz Mezzrow and Bernard Wolfe (1946)
3. The World of SJ Perelman (2000)
4. Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1880)
5. Elia Kazan: A Biography, por Richard Schickel (2005)

Outra opção é ir na seção Indico do Menos um na estante, com posts sobre livros que eu e colaboradores recomendamos. ;)

Do The Guardian.

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O Dia do Beijo por Julio Cortázar

Publicado por em 13/04/2012 | 7 comentários

Foto de Zavarykin Sergey

“Toco a sua boca, com um dedo toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a sua boca se entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e desenha no seu rosto, e que por um acaso que não procuro compreender coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que a minha mão desenha em você.

Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõem-se, e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.”

Ficaram sem fôlego? É um trecho do livro Jogo da Amarelinha (no original, Rayuela), de Julio Cortázar, publicado em 1963. Uma grande contribuição da leitora Paula Costa na fan page, que deixou o dia do beijo mais encantador e romântico.

A propósito, já curtiu a página do Menos um na estante no Facebook?

Foto de Zavarykin Sergey

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Para se deixar seduzir pela menina má

Publicado por em 21/01/2012 | 2 comentários

 

Capa do livro "Travessuras da menina má", de Mario Vargas Llosa

O mérito de estar no título da obra de Mario Vargas Llosa não é à toa. A menina má é fascinante. Quando a gente termina a última página do livro, percebe que desenvolveu por ela um sentimento tão doentio quanto o que nutre Ricardito, o peruano narrador da história. Uma mistura de “Ufa, me livrei!” com “E agora, o que é que eu faço?”.

Em Travessuras da menina má (Alfaguara, R$ 47,90), o trunfo na manga de Vargas Llosa é a super construção do personagem. Digo isso porque é difícil pensar alguma situação, algum problema que não tenha acontecido ao longo da vida dessa moça. E ainda assim ela não se torna inverossímil, é até possível imaginar que existe por aí mulher tão intensa, sequelada e sedutora.

“Falava sem deixar de sorrir, movendo a boca com uma brejeirice mais refinada que antes. Contemplando seus lábios marcados e sensuais, arrulhado pela música de sua voz, tive um desejo enorme de beijá-la. Senti um aperto no coração.”

O livro conta a vida de Ricardito, um peruano cuja grande ambição era morar em Paris. O problema é que na adolescência, ele se apaixona por uma chilenita caliente, de ombros soltos e olhos dissimulados sedutores. A verdade não é a especialidade da garota, que desaparece da vida dele. Afinal, as ambições dela são muito maiores, um empecilho para uma história de amor como a gente vê nos filmes.

“E, com sua personalidade gélida, não hesitava em me procurar, convencida de que não havia dor, humilhação, que ela, com seu poder infinito sobre os meus sentimentos, não fosse capaz de apagar em dois minutos de conversa.”

Em vários momentos, em situações diversas, em lugares inusitados, eles se separam e se reencontram, vivendo tórridos dias ou horas de romance. Ou só de sexo, sempre diferente, do tipo gato-e-rato, do tipo rindo, e em meio às mais exdrúxulas situações. Ele, sempre um apaixonado imbecil e obssessivo, a menina má sempre misteriosa e distante. E apesar das situações psicológicas complexas, o livro poderia até ser monotemático, mas está muito longe disso.

Há a política, com as descrições dos bastidores das revoluções do Peru e os movimentos de esquerda da França. Há as amizades intrigantes de Ricardito e há o turismo literário, onde o guia é Vargas Llosa apresentando peculiaridades e recantos de cidades da Europa, como Paris e Londres, sem falar em Tóquio. De forma que a sensação é a de acompanhar uma espécie de saga das relações humanas e da vida política na época.

Café Les Deux Magots, em Paris

Particularmente, tudo de Paris me saltou aos olhos, pois quando comecei a ler a obra, estava de viagem marcada para lá. E na volta, foi especial reconhecer ali alguns lugares que pude visitar ou apenas ver. Como o Café Les Deux Magots, super tradicional, famoso porque era frequentando por Hemingway, é onde acontecem alguns encontros entre a menina má e Ricardito.

Fotos de MuddyRavine.

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A mulher de vermelho e branco é “number one”

Publicado por em 17/10/2011 | Deixe um comentário

Capa do livro "A mulher de vermelho e branco", de Contardo Calligaris

“Number One” é uma gíria usada por uma das personagens-chave do livro de Contardo Calligaris, LeeLee. É uma escala onde um é uma maravilha e dez é péssimo. Colocaria A mulher de vermelho e branco (Companhia das Letras, R$ 39) no topo desse ranking (Ok, number three). O livro é do tipo que prende a atenção, porém de uma forma madura. Nada de tirar o fôlego ou de não conseguir parar de ler para dormir. É elegante. Por exemplo, você está trabalhando e se pega pensando na situação dos personagens.

Engraçado é que o apego não é ao protagonista da trama, o psicanalista Carlo Antonioni. Brasileiro, radicado em Nova York, é pelo ponto de vista dele que acompanhamos duas histórias intrigantes de mulheres bem diferentes. A primeira, a paciente Woody Luz, uma americana quase brasileira, mãe de dois filhos, com sérias dificuldades de relacionamento com o marido marroquino Khaloufi, sendo o choque-cultural um dos principais pontos.

E tem LeeLee, ex-namorada dele. Personagem tão especial que, se fosse no cinema, a atriz que a incorporasse seria uma das favoritas ao oscar de coadjuvante. Uma mulher vietnamita que passou por maus bocados ao fugir da guerra do Vietnã para encontrar refúgio em Paris. Décadas depois, LeeLee ainda tem uma obssessão por se livrar dos fantasmas do passado e é com a ajuda de Carlo que isso vai acontecer.

“Eu ficava com a impressão de que a jovem descolada, de uma hora para outra, denunciaria aquela senhora careta que ela vestia como se fosse uma máscara. Essa dualidade, essa contradição, eram vagamente inquietantes.”

Bom, Contardo Calligaris é doutor em psicologia clínica, um italiano radicado no Brasil, e não precisa de muito mais para perceber que Carlo Antonioni é um alter-ego dele. A mulher de vermelho e branco é a segunda incursão do escritor na ficção – depois de O Conto do Amor -, mais especificamente o segundo livro com o mesmo personagem central. A impressão que eu tenho é que o autor usa com tanta propriedade a experiência de mergulhar na mente humana que acaba fazendo do leitor o próprio paciente.

Carlo nos conduz pela história dessas mulheres, compartilha suas observações sobre o comportamento delas, até divide indagações e inseguranças. Mas ficamos bem longe de conhecermos ele a fundo. Exatamente como acontece numa terapia, quando pouco sabemos sobre a vida do psicólogo. O mistério é bem-vindo, nos deixa imaginar. No meio de uma investigação policial, o mais interessante é enxergar as situações como um grande parque de diversões psicológico.

Tenho que dizer que não encontrei um grande trabalho de lapidação de palavras na obra. O que não significa que não seja um texto inteligente e fluido. A minha aposta é que as próximas tramas do Calligaris serão ainda mais saborosas.

Pesquisando sobre ele, encontrei uma ótima entrevista na Marie Claire. Foi realizada em 2008, mas é tão legal como se tivesse sido feita hoje. Para se ter ideia, ele diz que o melhor filme sobre gravidez é Alien (1979) e que não tem interesse na felicidade: “a gente foi convencido pela ideia de que o sofrimento não deve fazer parte de nossas vidas”.

Foto de Contardo: Tom Cabral/ Santo Lima.

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