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Emma comprova: escrever não é mesmo fácil

Publicado por em 25/05/2012 | 2 comentários

Foto do tumblr Breathing Books

“Aquelas palavras na tela representavam seu projeto mais recente, uma tentativa de escrever uma série de romances policiais comerciais e discretamente feministas. Aos onze anos Emma já havia lido tudo de Agatha Christie, depois também leu muita coisa de Raymond Chandler e James M. Cain. Parecia não haver razão porque não pudesse tentar alguma coisa do gênero, mas estava percebendo mais uma vez que ler e escrever não eram a mesma coisa: não se podia simplesmente absorver tudo e regurgitar.”

Ser escritor pode ser muito nobre, mas ninguém nunca disse que era moleza. Está aí Emma Morley, personagem de Um Dia, de David Nicholls, pra não me deixar mentir com dois trechos. Acima, é quando ela está tentando escrever o primeiro livro, o clássico bloqueio criativo, a auto-crítica. O outro descreve a primeira decepção com uma editora. Sempre foi difícil, tem que amar, tem que ser necessário.

“As portas do elevador se fecham e Emma desaba contra a parede enquanto desce os trinta andares, sentido seu entusiasmo coalhar na boca do estômago numa decepção azeda. Às três horas da manhã, sem conseguir dormir, tinha fantasiado um almoço de improviso com a sua nova editora. Imaginou-se tomando vinho branco gelado no restaurante Oxo Tower, entretendo sua companhia com envolventes histórias dos tempos de faculdade, e agora lá está ela, expelida de South Bank em menos de vinte e cinco minutos.”

Estou curtindo muito o livro, uma comédia romântica inteligente, cheia de referências e contada de forma criativa. Digo mais em breve.

Foto do Breathing Books.

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Foi Carrero quem me ensinou a ler

Publicado por em 21/10/2010 | Um comentário

Diante de Literatura com L maiúsculo, é normal se questionar se a mensagem entendida é aquela mesma que o autor quis passar. Mas a gente não costuma avaliar se está lendo da maneira apropriada. Na escola, ninguém ensina que um texto literário de verdade é tão complexo que exige, na contrapartida, uma atenção especial para ser captado.

Isso é algo que só o escritor Raimundo Carrero me ensinou.

Foi quando fiz alguns meses da sua famosa Oficina Literária, no casarão bucólico da União Brasileira dos Escritores (UBE), em Casa Forte. É um curso que rola há tempo, para ensinar técnicas de escritor, coisa que eu tinha muita vontade de ser na época (hoje estou apaixonada por tantas outras atividades que nem sei mais). E a arte de ler um bom texto sempre foi a primeira das lições.

Raimundo Carrero

Carrero abria um livro (como O Som e a Fúria, de William Faulkner) e lia, com toda a imponência da sua voz robusta e rouca, para a gente perceber que cada palavra do texto não teria nenhum outro lugar do mundo para estar senão ali. Vírgula, ponto ou exclamação, toda a pontuação integra o emaranhado vivo da linguagem que é uma obra literária. Tudo é meticulosamente pensado pelo escritor para completar, com leveza, angústia, dramaticidade, o que as frases diziam.

Ou pelo menos deveria ser, na visão dele. Essa liçãozinha me convidou a áreas inexploradas dentro da Literatura. Só que vieram outras responsabilidades, choque de horários, parei de frequentar a Oficina Literária, sempre na promessa de voltar, numa dessas coisas que você adia sem prazo.

Decidi contar tudo isso para homenagear e, mais ainda, mandar um monte de energias positivas para ele, que agora se  recupera de um AVC, pouco tempo depois de ser agraciado com o Prêmio São Paulo de Literatura por Minha alma é irmã de Deus. Que chegue um pouquinho de força pelas palavras.

Tenho uma PROPOSTA: Se você também é blogueiro, que tal também fazer um post sobre o escritor? A gente vai linkando os posts uns dos outros, formando uma espécie de abraço coletivo virtual. Seria bonito. Quem topar, me avisa!

Atualização: O pessoal do blog Ofício Literário, coincidência ou não, nem sabia do estado de saúde de Carrero quando recentemente o postou um trecho – muito bonito, diga-se – de A minha alma é irmã de Deus, como contaram nos comentários.

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