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Em & Dex: os dias de duas vidas de verdade

Publicado por em 5/09/2012 | 4 comentários

Um Dia, David Nicholls

Tenho tido dificuldades de escrever aqui sobre os livros que gosto, não entendo bem porquê. A culpa pode ser da internet. Com tantas informações e rapidez, talvez esteja diminuindo meu cérebro. Outra hipótese é eu estar perdendo o costume de escrever textos longos. Ou porque é difícil gostar muito de um livro e conseguir explicar com um porquê à altura.

O fato é que eu não poderia deixar o Menos um na estante sem o registro de como Um Dia, do David Nicholls, é um livro lindo. Tem quem ache fraco, bobo, água com açúcar, e todos os adjetivos que best-sellers ganham de cara junto com o título de best-seller. Diria que Um Dia é um livro simples, como a vida de alguém que nasce, vive e morre, com poucas particularidades.

Para continuar, recomendo dar o play na mixtape que o próprio Nicholls criou:

Ou poderia chamar de comédia romântica literária, com tudo o que o termo traz de mais nobre e levando em conta que eu sou uma grande fã do gênero. Acredito que o termo caiu na esparrela: é automaticamente associado a um filme ruim, e isso me soa injusto. Mas um dia estudarei isso e farei uma verdadeira defesa.

Ao abordar 20 anos do relacionamento de Emma e Dexter, Nicholls consegue que todo mundo se identifique em algum momento. Só que a narrativa funciona de uma forma particular, em recortes. Tudo começa no dia 15 de julho de 1988, um dia que mudou a vida dos personagens, o dia em que eles se conheceram. E aí para pegar o espírito da coisa, não tem melhor do que a epígrafe que o autor escolheu a dedo para abrir a obra:

Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido o seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.

Charles Dickens, em Grandes Esperanças.

A partir de então, Emma e Dexter são revelados pra gente em todo dia 15 de julho. Cada capítulo, um ano diferente. Os pensamentos dele, os anseios dela, as frustrações, os encontros e as brigas, a busca pelos sonhos, a falta de vontade de viver, de rumo, e essas coisas que, bom ou não, fazem parte da vida.

As limitações da narrativa são interessantes à medida em que deixam pouca coisa explicada, e muita subentendida. E de acompanhar um pedaço tão grande da vida dos dois, é impossível não se afeiçoar, principalmente a Emma Morley. Não sei se acontece do mesmo jeito com todo mundo, mas ela é uma personagem encantadora, com uma grande vida comum. Aliás, acredito que isso é o que eu mais gostei no livro: é vida real.

“Não, esta era a vida real, e era normal não se sentir mais tão curiosa ou apaixonada como no passado. Aos trinta e oito anos, seria inapropriado, indigno, ter amizades ou casos de amor como o mesmo entusiasmo e intensidade de uma garota de vinte e dois.”

Ah, o filme (veja o trailer) com Anne Hathaway é legal, mas não chega nem aos pés. Curti acima da média, imagino, só pela sensação de ver toda aquela história “se mexendo”.

Leia também: Emma comprova: escrever não é fácil.
Leia também: Sobre previsibilidade.

Dê uma olhada no meu tímido álbum de lidos em 2012.

Foto: Márcia Lira. Mixtape: dica de Célia Lins.

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