Posts com a tag "contos"

[Resenha] A cidade inteira dorme, de Ray Bradbury

Publicado por em 31/05/2016 | 2 comentários

Gif A cidade inteira dorme

A coletânea de 13 contos A cidade inteira dorme, de Ray Bradbury, é o livro mais esquisito que eu me lembro de ter lido, no sentido mais maravilhoso que isso pode ter.

Nele eu finalmente encontrei o tão cultuado e amado escritor norte-americano, que viveu entre 1920 e 2012.  E posso adiantar que se você é fã de literatura fantástica, pode beber dessa fonte sem ressalvas.

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Leituras para se despedir do Carnaval

Publicado por em 6/03/2014 | 2 comentários

Carnaval

O fim do Carnaval sempre é meio chocante, até pra quem não gosta de brincar. Imagina para o folião que se joga e se esquece de tudo de ruim, e do cansaço, e a maior regra se torna a diversão? De repente, na quarta-feira de cinzas, chega o “pesadelo da realidade” e pronto.

Pra minimizar um pouco esse trauma do fim da folia, vão aqui algumas leituras pra ir se despedindo do Carnaval 2014, e esperar o do ano que vem. Os dois primeiros eu conheço e recomendo fortemente, os outros foram boas dicas dos leitores na página do blog no Facebook.

  • O bebê de tarlatana rosa, João do Rio
    É definitivamente um dos meus contos preferidos, e foi publicado pela primeira vez em 1951. Fiquei impressionada na primeira vez que li, naquela coletânea Os 100 melhores contos do século, mas você pode ler aqui. Ou pode ouvir Abujamra contando a história no vídeo abaixo. O bebê do título se refere à fantasia de uma mulher, que encanta o narrador disposto a se “acanalhar” entre confetes e serpentinas. Só que ela não era uma mulher comum. Ah, há um filme baseado no conto.
  • Antes do baile verde, Lygia Fagundes Telles
    O conto é o que dá nome à coletânea da escritora paulista, publicada em 1970 pela primeira vez. Aqui tem o conto na íntegra, mas vale muito a pena ler a seleção inteira. O texto é quase todo um diálogo entre uma adolescente e uma empregada da casa, enquanto ela se enfeita para o “baile verde” ao som do Carnaval, que acontece lá fora, e do pai doente no quarto ao lado.

  • Restos de Carnaval, Clarice Lispector
    A história faz parte do livro de contos Felicidade Clandestina. Lembrou pra mim um pouco o conto de Lygia, pois aborda o pesar do Carnaval quando alguém querido não está bem. Nesse caso, do ponto de vista de uma menina de 8 anos, na folia do Recife. É escrito em primeira pessoa, e há sérias cogitações de que seja autobiográfico. Você consegue ler aqui.

    Carnaval do Recife | Divulgação Wagner Ramos/PCR

  • Concerto Barroco, Alejo Carpentier
    É o único da lista que é um romance, e não apenas um conto. O escritor cubano narra a ida de um milionário da prata mexicana a Veneza, em pleno Carnaval. O livro foi publicado pela primeira vez em 1974. Alguém aí leu? Dá pra saber mais no site da Companhia das Letras.

    Você conhece mais algum conto ou livro legal de Carnaval? Conta nos comentários.

    Agradeço a colaboração de Francisco Mariani, via Facebook.

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Lendo com James Franco na cama

Publicado por em 2/02/2014 | Deixe um comentário

James Franco, aquele que fez um dos vilões da trilogia do Homem-Aranha há algum tempo, é massa demais. Além de já ter provado ser um bom ator em filmes bem legais, ele sempre está metido em coisas diferentes. Por exemplo, dizem que é conhecido por sempre ler clássicos nos intervalos das filmagens.

Então não me surpreendi com esse vídeo em que ele lê na cama (todas pira) – aquele costume de nove entre dez leitores. O conto que você pode ouvir (em inglês) se chama William Wei, de Amie Barrodale, e foi publicado na revista The Paris Review. Dá o play.

Reading in Bed with James Franco from The Paris Review on Vimeo.

Dica de Ana Braga.

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Descobrindo o horror em Lovecraft

Publicado por em 10/04/2013 | 9 comentários

Beardsley 01

A minha leitura atual é a de um artesão do horror. Tudo bem que é aos trancos e barrancos, num intervalo aqui, meia horinha ali, mas estamos indo em frente. O livro é uma coletânea de contos chamada Horror em Red Hook, de Howard Phillips Lovecraft (1890-1937), ou H.P. Lovecraft, como é mais conhecido. Uma das primeiras aquisições para o Kindle. Alguns contos depois, dá pra entender bem porque o nome do escritor norte-americano sempre é citado quando o assunto é terror.

Lovecraft faz questão de descrever bem o ambiente, todos as nuances, as luzes, as bizarrices que aparecem e as que não aparecem, e confesso que isso me travou um pouco. Total falta de costume. Até que um amigo soltou a pérola que me atingiu em cheio: Não há literatura de terror sem imersão, não é pra ler tuítando. Bingo! As coisas começaram a fluir.

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Viva às baboseiras

Publicado por em 17/10/2012 | 2 comentários

Contos sem baboseiras

É engraçado, mas imagina como seria sem graça se os contos fossem assim mesmo? Ainda bem que os contos são cheios de baboseiras. Lembro bem do dia, no meio dos meus estudos literários, em que eu me dei conta do quanto é importante o miolo das histórias, pois é pelo desenrolar das situações e pelo desenvolvimento dos personagens que a gente se identifica, se comove ou mesmo muda um ponto de vista.

Vi aqui. Dica de Adelmo.

Curte o Menos um na estante? Então vote no Prêmio Top Blog 2012.

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Tempo Bom e o prazer em conhecer os novos

Publicado por em 9/03/2011 | Deixe um comentário

Uma das melhores coisas de ler Tempo Bom foi conhecer autores que poderiam ter passado despercebidos por mim. Fato que só aumenta o valor dessa coletânea que já nasceu cheia de dignidade. Com contos gentilmente cedidos pelos escritores e processo editorial feito na camaradagem, o livro foi lançado e vendido com renda revertida para as vítimas das enchentes em Pernambuco.

Alguns dos integrantes eu sabia que deveria conhecer, e em outros eu realmente não tinha ouvido falar. Engraçado que a coletânea conta com histórias de Xico Sá, Fernando Monteiro, Raimundo Carrero, Alberto Mussa, Marcelino Freire, mas foi mesmo nos nomes menos famosos que eu me deleitei. Sendo menos famosos, claro, um conceito muito particular, pois um deles já foi finalista na categoria “autor estreante” no Prêmio São Paulo de Literatura, em 2009: Rinaldo de Fernandes. Autor de vários livros, ele escreveu O Cavalo, um dos contos que mais me chamou a atenção.

Cavalo - Foto: Eduardo Amorim

Um dos motivos é a afinidade com o ponto de vista do narrador, que exerce o voyeurismo do alto de um apartamento. Eu, depois de toda uma vida de casa, há pouco passei a morar no nono andar, e tenho achado impressionante a facilidade que é observar as pessoas na rua sem elas se darem conta. O conto tem uma briga de casal com um cavalo no meio, numa dose interessante de estilo e elementos fantásticos.

Outro interessante é Ernest, do baiano Gustavo Rios. Em meio a todos os clichês de uma festa de família, um sujeito velho e amargo desfila suas insatisfações e lembranças sexuais reavivadas por um copo de whisky:

“Tinha certeza que o sol derretido, o mar distante, afinal, morava num desses conjuntos habitacionais, austeros, onde se socam famílias inteiras em caixas de concreto, de janelas minúsculas, de telhados incertos, de ruas largas com poucas árvores, pois esse lugar lhe trazia o medo de estar morto sem saber”.

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Das coisas que, uma hora ou outra, chegam

Publicado por em 18/10/2010 | Deixe um comentário

“E ele também já não era jovem, não podia agradar às mulheres que recuavam do seu amor sem forças, afastadas pela mágica do inferno que torna um homem mais idoso do que um pai já morto, na meia idade, quando se faz contas com o tempo, com as cidades deixadas para trás, com os amigos mortos e com o silêncio que nos cerca.”

"You'll Never Walk Alone". Foto: Julius Dillier

Trechinho do conto A cabeça de calcário, de Fernando Monteiro. Um dos textos integrantes da coletânea Tempo Bom, que é a minha leitura agora. Na sequência, tem um dos melhores contos dos últimos tempos de um autor que eu desconhecia por completo: Rinaldo de Fernandes, da Paraíba. O cavalo tem um quê de literatura fantástica. Ou não. E essa dúvida é genial.

Foto do Flickr de thebmag.

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