Posts com a tag "cinema"

Por que usar tanto o fantástico?

Publicado por em 12/02/2011 | Deixe um comentário

“Na literatura contemporânea, o realismo mágico e a literatura fantástica são usados como veículos para a sátira social. Gosto de pegar o fantástico e moldá-lo em minhas histórias, usando-o para explicar algo sobre o mundo em que vivo, muitas vezes do ponto de vista de alguém que não é humano, ou que tenha uma perspectiva que a maioria de nós não tem ou não entende”, do escritor S.G. Browne.

S.G. Browne

Tenho pensado na quantidade de “realismo mágico” que tem à nossa volta hoje. Assim, com aspas, puxando pela generalização desse termo tão teorizado. Nas novelas, sempre tem acontecido coisas estranhas, espíritos, seres. É difícil a gente ir no cinema e não estar em cartaz ao menos um filme que explore fatos sobrenaturais. Das minhas séries preferidas atualmente, uma fala de mundos paralelos querendo se destruir, Fringe; em outra, True Blood, os vampiros são as estrelas, mas disputam a tela com toda uma fauna de criaturas improváveis.

A literatura, ao que me parece, é o lugar onde isso é menos novidade. Kafka, Murilo Rubião, Poe, Lygia Fagundes Telles, Borges e tantos outros podem confirmar. Mas há muitos escritores mais novos explorando esse caminho. Daí, estava lendo a edição de fevereiro da ótima Revista da Cultura, distribuída gratuitamente na Livraria Cultura, quando me deparei com uma pequena entrevistacom o norte-americano S.G. Browne, e gostei muito dessa explicação dele para o porquê de usar o fantástico.

Algo como estamos tão viciados nos personagens comuns da vida, que eles não chamam mais atenção, não nos envolvem. Então usar personagens “fantásticos” seria uma forma de abordar pontos de vista inusitados. Bem interessante.

Dicas de leitura de S.G. Browne

Na mesma página, Browne indica cinco filmes que ele considera as melhores adaptações da literatura: Clube da Luta, Los Angeles – Cidade Proibida, Alta Fidelidade, Um Sonho de Liberdade e Garotos Incríveis. Ótimas dicas. A edição ainda tem matéria sobre narrativas que saem do papel e a ótima entrevista com Xico Sá.

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Três frases para um sábado

Publicado por em 22/01/2011 | Deixe um comentário

John Berger

Lendo a Serrote nº 4 (revista MUITO boa do Instituto Moreira Salles), desfrutei de um artigo apaixonado por cinema do John Berger, originalmente publicado em 1991. Pensei em falar mais sobre ele aqui, mas ia sair do foco do blog, e escolhi só pinçar essas três frases.

Mas para quem tiver oportunidade, vale muito a pena o ensaio Ev’ry time we say goodbye, tem coisas inspiradoras como: “No cinema, os casais se dão as mãos, o que não ocorre no teatro; aa pintura traz o mundo para sua casa, o cinema nos leva para outro lugar.”

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Leia o livro, veja o filme? 102 opções brasileiras

Publicado por em 13/09/2010 | Deixe um comentário

Cena do filme "Lavoura Arcaica"

A lista está num post não tão recente do Lendo.org. Mas achei bem completa: começa no “A” de A Cartomante (2004) (baseado no conto de Machado de Assis) – termina no “V” de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. E também gostaria de saber quais vocês viram e recomendam, afinal, não dá pra ver todos e nem quero: não tenho dúvidas de que alguns são bem ruins. E aí?

Lavoura Arcaica (foto) eu assisti. Lindo, denso, imperdível por si só.

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Apenas um número limitado de vezes

Publicado por em 13/09/2010 | Deixe um comentário

“Porque não sabemos quando vamos morrer, nós começamos a pensar na vida como um bem inesgotável. No entanto, tudo acontece apenas um número limitado de vezes…’, soa a voz de velho do Paul Bowles, no final do filme que considero ainda mais belo do que o romance original. ‘Quantas vezes mais você vai se lembrar de uma certa tarde da sua infância, uma tarde que faz tão profundamente parte do seu ser, que você não pode sequer conceber sua vida sem ela? Talvez umas quatro ou cinco vezes, talvez nem isso. Quantas vezes mais você vai assistir ao nascer da lua cheia? Talvez 20. E, no entanto, tudo parece sem limites…”

Children in the afternoon - Foto: Emiliano Zapata

Ah, um pequeno momento de felicidade é, assim, quando você constata que estava escrito pelo mundo um raciocínio que você sempre teve. Mesmo sendo uma ideia dura como essa. É encontrar um cúmplice, alguém que se debruçou sobre o pensamento com o qual você convive, expressando-o da forma ideal.

É instigante, mesmo tendo sido de uma leitura atrasada de uma revista. E mesmo sendo uma citação de um filme que eu não vi (O céu que nos protege, de Bertolucci), baseado na vida de um casal de escritores que eu não li: Paul Bowles e Jane Bowles. Não tem importância.

O trecho é de um artigo muito bom de Fernando Monteiro, Sob o sol de Tânger ou de Málaga, na Continente #115.

Foto do Flickr de Emiliano Zapata.

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O que pode ser melhor do que me aconchegar aqui com você?

Publicado por em 17/05/2010 | Deixe um comentário

Ah, finalmente consegui recortar esse trecho de Direito de Amar(A Single Man, 2009) para colocar aqui. Primeiro que é uma cena linda do filme, tão sensível, requintado, fato para o qual pesa a mão do diretor estilista Tom Ford. Segundo que quebra de forma delicada aquela imagem de que a leitura é um ato solitário.

Não parece uma ideia tentadora ler de pernas entrelaçadas no sofá, trocando divagações? Ele lê A Metamorfose, de Kafka, e ele lê Bonequinha de Luxo, de Capote.

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