Posts com a tag "cinema e literatura"

Comer, Rezar, Amar – cena de leitura e romance

Publicado por em 15/06/2017 | Deixe um comentário

Cena de Comer, Rezar, Amar

Comer, Rezar, Amar, da Elizabeth Gilbert, é um livro que eu sou doida pra ler. Como as comédias românticas que gosto de assistir. Só que o hype passou e até hoje eu nada. Consequentemente ainda não vi o filme.

Aí vejo essa cena e sinto que é hora de corrigir essa falha. Ler o livro e assistir ao filme. Como se não bastasse ser Julia Roberts e Javier Bardem, dois atores que amamos, o trecho começa com uma leitura de casal e é pura inspiração. A casa. A música. Os livros. <3

Para suspirar e se apaixonar. Dica de Adelmo.

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Spike Jonze e uma saga de beira de estante

Publicado por em 9/11/2011 | Um comentário

Spike Jonze: Mourir Auprès de Toi on Nowness.com.

Quando se apagam as luzes da famosa livraria parisiense Shakeaspeare and Company, os livros começam a se amar. É quando o esqueleto da capa original de Macbeth, de Shakespeare, desperta uma atração pela mocinha Mina Harker, do Drácula, de Bram Stoker. Para encontrar a amada, ele enfrenta os mais perigosos desafios ao longo da estante da livraria.

Quer mais lindo? Só assistindo.

É a sinopse de Morrer ao Seu Lado (Mourir Auprès De Toi), o novo curta-metragem de Spike Jonze (I’m Here, Onde Vivem os Monstros), criado junto com o cineasta Simon Cahn e com a designer Olympia Le-Tan. Tão lúdico, vale a pena os minutinhos. Outra coisa legal é passar no Vimeo, e assistir o vídeo de bastidores e ver como a galera se divertiu fazendo o filme.

A dica cheia de afeto foi de Samara, que viu aqui. E ainda me rendeu uma ótima anotação para a viagem dos sonhos dos próximos dias: conhecer a tal livraria Shakespeare and Company, um pequeno paraíso dos livros em Paris, desde 1951.

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Salvem Clarice Lispector!

Publicado por em 9/09/2011 | Deixe um comentário

Clarice Lispector

O meu primeiro contato com Clarice Lispector foi o livro A Hora da Estrela, cuja leitura os professores costumavam indicar no colégio. Li e pouco me disse. Depois comecei algum outro, que nem me lembro, e eu odiava não ser fisgada. Afinal, todos falavam muito bem das obras da autora. Até que um dia, mais madura, devorando o livro de contos A Bela e a Fera, eu entendi tudo. A verdade é que antes eu não estava preparada pra Clarice, a gente não estava em sintonia.

Depois, caí de amores. Não porque me esforcei, mas porque, no turbilhão da adolescência, eu encontrei um lugar onde era entendida.

Aconteceu há 15 anos atrás, mas eu sei que aconteceria hoje também, se eu abrisse (ou quando eu abrir) um livro dela. Longe de ser uma experiência palatável. Passei muito tempo para digerir A Paixão Segundo G.H, e mais ainda para processar Água Viva. Levando em conta que a autêntica obra de arte é aquela onde se encontra infinitos significados e interpretações, a obra de Clarice Lispector é pura literatura. Cada frase tem um propósito.

Mas há um clima de banalização da escritora ucraniana no ar. Primeiro, porque ela beira a unanimidade, e em tempos de compartilhamento, isso significa pílulas de Clarice jogadas nas mídias sociais. Tem muita coisa falsa no meio, e essa overdose tem feito com que pedaços da sua obra sejam constantemente ligados a uma áurea auto-ajuda. É como se cada vez mais a aproximassem do lugar menor onde está Paulo Coelho. Quanta injustiça!

Tem muita coisa de qualidade duvidosa que eu gosto, reconheço. Mas com a mesma convicção, sei que Clarice não é uma delas.

Vinha pensando nessas questões, mas foi a boataria sobre um filme novo em que a atriz Meryl Streep interpretaria Clarice Lispector que me motivou de vez. Depois, a história foi desmentida pelo Benjamim Moser, autor da biografia da escritora. Ou seja, somente mais um blá-blá-blá bobo em torno do nome dela. Pra quê?

Por falar em cinema, deixo vocês com essa entrevista com a escritora. A última que ela concedeu, pouco antes de falecer, em 1977. Digam só se essa mulher merece esse descrédito?

E é só a primeira parte. Ainda tem a 2, 3, 4 e 5.

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Sobre cinema, Meia-Noite em Paris e Dorian Gray

Publicado por em 3/07/2011 | 2 comentários

Cena do filme "Meia noite em Paris"

Hoje é domingo, dia de cinema (como todos os dias). Amo filmes, assim como livros, café e outras coisas, e não tem essa semana em que eu não veja um. Embora goste e estude crítica cultural, me permito ter uma relação bem mais leve com a sétima arte: ver, curtir e ficar satisfeita. O filme não tem que dar um novo sentido à vida, sou fã de comédias românticas, filmes de ação, suspense, super-heróis. Só não pode fazer a gente de idiota.

Quando o filme é denso, fica remoendo na cabeça, faz pensar sobre a vida, levanta questões para discutir na mesa de bar ou num café, também é uma delícia (ou até doloroso). Como eu sou desmemoriada, um grande critério de avaliação é eu lembrar do filme depois de um tempo. Nem que seja de uma cena, um personagem, uma ideia. E eu duvido que eu vá esquecer de Meia-noite em Paris.

É difícil eu não gostar de filmes de Woody Allen, porque eles sempre abordam relacionamentos, colocam uma lupa nas pequenas coisas, e são cheios de referências interessantes. Mas esse é especial, porque é pra se encantar. É o deslumbre por Paris – as luzes, as ruas, os hábitos -, pela inspiração artística que a cidade e seu imaginário trazem, pelo movimento cultural da capital francesa dos anos 20 (leia ótima matéria no Jornal Opção).

Owen “nariz torto” Wilson vive Gil, um roteirista de Hollywood cujo sonho é ser escritor (acabo de me lembrar do George RR Martin, ex-roteirista de TV e agora autor da saga Game of Thrones). Ele visita Paris com a noiva, e encontra não só inspiração, amor, mas também grandes nomes da literatura, música, artes plásticas do começo do século, de uma maneira que só assistindo para entender. Imagina tomar uma com Hemingway? Curtir a festa do casal Zelda e Scott Fitzgerald, tergiversar com Luis Buñel, saber as opiniões de Gertrude Stein, Cole Porter, Pablo Picasso, Salvador Dalí. Enfim, vale a pena cada $$ da entrada.

Outro filme literário em cartaz nos cinemas é a adaptação de O Retrato de Dorian Gray, clássico do Oscar Wilde de 1890. Na verdade, a décima adaptação. Você já viu alguma? Pretendo conferir, mas sem tantas esperanças de ver um bom filme (esse cartaz aumentou meu preconceito), embora ele conte com o Colin Firth (O Discurso do Rei) num papel secundário. O triste é que o longa, dirigido por Oliver Parker, é de 2009 e só estreou no Brasil agora.

“Percebeu que ficaria louco ou doente, se continuasse pensando no que havia acontecido. Pecados havia cujo fascínio era maior pela recordação do que pelo ato em si mesmo (…) Mas aquele não era desse tipo. Era uma lembrança que devia apagar de sua mente, adormecê-la com ópio, aniquilá-la enfim, mas não se deixar aniquilar por ela.”

Trecho do único romance de Oscar Wilde, que li há uns dez anos e gostei muito. É uma história pesada, sobre um jovem bem posicionado na sociedade, que vive de glamour, e arruma um jeito sombrio de manter sua beleza física intacta enquanto, por dentro, definha. O personagem é complexo, e explora bem essa tensão, que vivemos, conscientemente ou não, entre o que somos e que aparentamos ser. E tendo como pano de fundo, toda a rigidez e mistérios de uma Inglaterra no século 19.

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