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Neil Gaiman: porque o nosso futuro depende de bibliotecas, leitura e sonhos

Publicado por em 23/10/2013 | 2 comentários

Eu seria incapaz de postar qualquer coisa hoje que superasse essa convocação do Neil Gaiman, em prol das bibliotecas. É o escritor inglês chamando na real sobre ser leitor e as responsabilidades disso, sobre o mundo que queremos deixar. Abaixo, o texto numa tradução livre. Mas tem aqui se você prefere ler em inglês.

Ou ignore, se for capaz.

Neil Gaiman dando a real

Eu acho que nós temos responsabilidades para com o futuro. Responsabilidades e obrigações com as crianças, com os adultos nos quais aquelas crianças vão se transformar, com o mundo onde eles vão se encontrar habitando. Todos nós – como leitores, como escritores, como cidadãos – têm obrigações. Pensei em tentar explicitar algumas dessas obrigações aqui.

Acredito que temos a obrigação de ler por prazer, em privado e em lugares públicos. Se lemos por prazer, se os outros nos vêem ler, então nós aprendemos, nós exercitamos a nossa imaginação. Nós mostramos aos outros que a leitura é uma coisa boa.

Temos a obrigação de apoiar bibliotecas. De usar bibliotecas, de incentivar outras pessoas a usarem as bibliotecas, de protestar contra o fechamento de bibliotecas. Se você não valoriza as bibliotecas, então você desvaloriza informação ou cultura ou sabedoria. Você está silenciando as vozes do passado e você está prejudicando o futuro.

Temos a obrigação de ler em voz alta para os nossos filhos. De ler para eles coisas que eles gostam. De ler para eles histórias das quais já estamos cansados. De fazer as vozes para tornar interessante, e não de parar de ler para eles apenas porque eles aprendem a ler para si mesmos. Use o tempo de leitura em voz alta como um momento de ligação, como o tempo em que não há telefones sendo verificados, em que as distrações do mundo são postas de lado .

Temos a obrigação de usar a língua. Para nos empurrar: para descobrir o que as palavras significam e como implantá-las, para nos comunicarmos de forma clara, e dizer o que queremos dizer. Não devemos tentar congelar a linguagem, ou fingir que é uma coisa morta , que deve ser respeitada, mas devemos usá-lo como uma coisa viva, que flui, que empresta palavras, que permite aos significados e às pronúncias mudar com o tempo.

Nós, escritores – e, especialmente escritores para crianças, mas todos os escritores – temos uma obrigação com nossos leitores: é a obrigação de escrever coisas verdadeiras , especialmente importante quando estamos criando contos de pessoas que não existem em lugares que nunca existiram – a entender que verdade não está no que acontece, mas o que ela nos diz sobre quem somos. A ficção é a mentira que diz a verdade, afinal de contas. Temos a obrigação de não entediar os nossos leitores, mas fazê-los precisarem virar as páginas. Uma das melhores curas para um leitor relutante, afinal, é um conto cuja leitura não pode ser interrompida. E enquanto dizemos aos nossos leitores coisas verdadeiras e damos a eles armas e armadura e passagem para qualquer sabedoria adquirida a partir de nossa curta estadia neste mundo verde, temos a obrigação de não pregar, não ensinar, não forçar mensagens morais pré-digeridas goela abaixo dos nossos leitores, como aves adultas que alimentam seus bebês com larvas pré-mastigadas, e nós temos a obrigação de nunca, jamais, em hipótese alguma, escrever alguma coisa para as crianças que nós mesmos não gostaríamos de ler.

É uma edição da edição de uma palestra dele. Se você quer ler menos editado, em inglês, vá aqui.
Dica ótima de Alex.

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A triste radiografia da leitura no Brasil

Publicado por em 2/04/2012 | 9 comentários

Livro ou TV? Foto de Lubs Mary

O engraçado é que o brasileiro tem surpreendido o mundo em tantos aspectos. Desde o fato de eleger um presidente com a história de Lula, depois uma mulher, até os altos números sem tanta quando se fala em internet. O país tem o título de quinta maior população em redes sociais do mundo. No entanto, se o tema é educação, e principalmente, leitura, o problema só se renova.

Sim, estou falando da pesquisa do Instituto Pró-Livro, Retratos da Leitura no Brasil. Um estudo que mostrou que, apesar de mais conectados, os brasileiros estão cada vez menos leitores. Apenas 50% da população pode ser considerada leitora, isso porque o conceito de “leitor” usado é bem amigável: ter lido 1 livro nos últimos três meses.

A grande média dessa meia população leitora é de 4 livros por ano. E os três mais citados têm teor religioso: a Bíblia, Ágape, do pe. Marcelo Rossi, e o best seller A Cabana. É sério. Foram mais de 5 mil entrevistados em 315 municípios.

 Retratos da Leitura no Brasil

Não, o preço não é o principal empecilho, segundo as entrevistas, e sim a falta de tempo e de interesse. Tanto é que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca. Falta de tempo a gente sabe que é falta de prioridade. Em vez de abrir um livro, há tempo para a atividade preferida que é? Assistir à TV. Ler é um ato que ocupa apenas o sétimo lugar no ranking da preferência.

Aí você pensa: mas se somos um povo tão conectado e lemos tão pouco, talvez um projeto de leitura digital venha bem a calhar. Pode até ser, mas com a consciência de que será um trabalho iniciado praticamente do zero porque a pesquisa mostra que 70% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar sobre os livros digitais.

Mas o mais triste é que se achávamos ruim a situação há anos, no comparativo o retrato da leitura no Brasil piorou. No documento divulgado em 2008, a média de livros anualmente era um pouco maior, 4,7, e 7% nunca tinha frequentado a biblioteca, enquanto hoje são 10%.

Então, para onde caminhamos? E o que podemos fazer?

Foto de Lubs Mary.

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20 bibliotecas para admirar

Publicado por em 1/03/2012 | Um comentário

Biblioteca criada pelo escritório de arquitetura Ilai - Foto: Lukas Wassmann

via flavorwire.com

Fotos de ambientes lindos com livros, definitivamente, não me cansam. Então na série de listas impagáveis do Flavorwire, apareceu essa de 20 bonitas bibliotecas pessoais e particulares. Lá, tem a biblioteca de George Lucas e a de Neil Gaiman, por exemplo. As minhas preferidas são sempre as que juntam uma vista prazerosa (de mar, de floresta, de paisagem) e um lugar confortável pra se afundar com um livro, como essa poltrona aí em cima.

Como é o seu ambiente preferido?

Via Tarrask.

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“Não consigo parar de adquirir livros”

Publicado por em 27/12/2011 | Deixe um comentário

The Library é um curta de 10 minutos de Sergey Stefanovich, sobre a casa do escritor Duncan Fallowell. Depois de perceber que tinha preenchido todo e qualquer espaço vazio com os livros que adquiria, ele decidiu torná-la uma instalação artística.

A obra de arte é registrada pelo diretor, e é a voz do próprio Fallowell que a gente escuta falando sobre a sua relação com os livros e com a vida, enquanto as imagens conduzem a um passeio pela casa. Bem bonito. Em inglês.

Dica boa do Tarrask.

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Biblioteca Coca-Cola

Publicado por em 15/05/2011 | Um comentário

Eu sou totalmente vendida para tudo relacionado a coca-cola, café e livros. E, nada imparcialmente, eu acho que a cafeína em todas essas formas tem tudo a ver com o ato de ler. O vídeo tem adolescentes e stop motion num flerte em plena biblioteca, com a felicidade da Coca-Cola. Lindo, criativo, babei. Dica da Rafa Sarinho.

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Porque todo mundo merece uma biblioteca

Publicado por em 20/08/2010 | Deixe um comentário

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Meus amigos do colégio estranhavam o lugar onde eu gostava de passar boa parte do recreio: a biblioteca. Enquanto uns iam jogar, outros, bater papo e outra parte, paquerar, era lá que eu gostava de me enfiar quando aparecia um horário vago. Também era frequentadora assídua da biblioteca do clube, estava sempre com algum título emprestado.

Não tenho dúvidas de que esse período entre a pré-adolescência e a adolescência foi a época em que eu mais li livros na vida.

A coleção Vagalume foi a minha obssessão, com suas obras de suspense – eu a li quase inteira. Mas odiava os de temáticas diferentes como As Aventuras de Xisto ou A Árvore que Dava Dinheiro. Li alguns da Agatha Christie, Monteiro Lobato, Machado de Assis, enfim. Além de me ajudar a passar pelos conflitos da adolescência, a literatura me fez aprender muitas coisas com naturalidade.

E certamente foi determinante na minha decisão de ser jornalista.

Criança folheando livro

Então, com meu humilde blog, faço coro com o bloguinaço que começou nessa quinta-feira, em prol da recuperação de oito espaços que fazem parte da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife. É uma iniciativa de um grupo de escritores e blogueiros, que lançaram nessa quinta a campanha Pra Gostar de Ler é Preciso Bibliotecas Vivas.

O foco é melhorar a infraestrutura de quatro espaços no Recife (Coque, Afogados, Alto José Bonifácio e Brasília Teimosa), três em Olinda (Ouro Preto, Bairro Novo e Peixinhos) e uma em Jaboatão dos Guararapes (Piedade). Elas precisam desde mobiliário (mesas, cadeiras, estantes) a equipamentos eletrônicos (computador, som, aparelho de DVD). Para ajudar, você pode:

Depositar dinheiro na Caixa Econômica Federal
Conta Corrente: 544-5
Agência: 2193 / OP: 003

OU

Telefonar oferecendo doações em bom estado ou trabalho voluntário
(81) 3244.3325 / 8850.5507

Foto de Patrícia Oliveira

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