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[Resenha] Simpatia pelo Demônio é uma história sobre relacionamentos e obssessão

Publicado por em 8/02/2017 | Um comentário

Ratos em Bernardo Carvalho e Murakami
Por Bianca Dias

No horóscopo chinês, 2017 pode ser o ano do Galo. Na literatura, entretanto, 2017 começou como o ano do Rato. Iniciando as leituras após o Ano Novo, deparei-me, inadvertidamente, com dois Ratos distintos.

Comecei pelo Rato protagonista do romance de Bernardo Carvalho, Simpatia pelo Demônio. Logo em seguida, o Rato de Murakami esteve presente em Ouça a canção do vento e Pinball, 1973, dois romances reunidos em volume único, e de estética primorosa, pela editora Alfaguara.

Em Simpatia pelo Demônio, antes de começar a história propriamente dita, Bernardo Carvalho faz por bem esclarecer o título da obra, desvinculando-o da clássica canção dos Rolling Stones. De modo professoral, explica as distinções linguísticas entre simpathy e simpatia, ressaltando que o primeiro, em inglês, quer dizer consideração. No título deste romance, a simpatia pelo demônio é simpatia mesmo.

O primeiro capítulo do livro é mesmerizante

A narrativa tem vida própria, no sentido de que bem poderia estar fora do romance, de modo autônomo, e, ainda assim, continuaria a ser admirável, completa. O Rato de Bernardo Carvalho trabalha em uma agência humanitária, e se vê enredado em uma missão cheia de meandros não ditos e desditos.

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[Resenha] Precisamos falar sobre os holandeses: Tirza e Bonita Avenue

Publicado por em 18/10/2016 | 4 comentários

Literatura holandesa. Foto: Byanca Dias

Bonita Avenue e Tirza: risadas nervosas acompanham aquela sensação de ‘onde isso vai dar?’. E O Homem Sem Doença promete.

Por Bianca Dias

O lançamento do novo livro de Arnon Grunberg, O Homem Sem Doença (editora Rádio Londres), serviu de ultimato: precisamos falar sobre os holandeses. Comecei as leituras de 2016, logo no início de janeiro, com Tirza, do mesmo autor. Iniciei e terminei Tirza, que tem 460 páginas, em cerca de três dias. Desde então, tive a sensação de que, nem tão cedo, leria algo tão genial quanto este livro.

O sentimento é bom e ruim: ao mesmo tempo em que é excitante ler um livro que cause tamanho impacto, cria-se um vácuo que permanece após a última página. Esse vazio tem um caráter um tanto misterioso: não é possível saber quando se vai passar por isso novamente. E nem com qual livro.*

Bonita Avenue, de Peter Buwalda, chegou perto. Lançado na Holanda em 2010, aportou por aqui no primeiro semestre deste ano (editora Alfaguara). Sem prejuízo de ter gostado mais de Tirza, Bonita Avenue é, na mesma medida, imperdível.

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