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Leituras para se despedir do Carnaval

Publicado por em 6/03/2014 | 2 comentários

Carnaval

O fim do Carnaval sempre é meio chocante, até pra quem não gosta de brincar. Imagina para o folião que se joga e se esquece de tudo de ruim, e do cansaço, e a maior regra se torna a diversão? De repente, na quarta-feira de cinzas, chega o “pesadelo da realidade” e pronto.

Pra minimizar um pouco esse trauma do fim da folia, vão aqui algumas leituras pra ir se despedindo do Carnaval 2014, e esperar o do ano que vem. Os dois primeiros eu conheço e recomendo fortemente, os outros foram boas dicas dos leitores na página do blog no Facebook.

  • O bebê de tarlatana rosa, João do Rio
    É definitivamente um dos meus contos preferidos, e foi publicado pela primeira vez em 1951. Fiquei impressionada na primeira vez que li, naquela coletânea Os 100 melhores contos do século, mas você pode ler aqui. Ou pode ouvir Abujamra contando a história no vídeo abaixo. O bebê do título se refere à fantasia de uma mulher, que encanta o narrador disposto a se “acanalhar” entre confetes e serpentinas. Só que ela não era uma mulher comum. Ah, há um filme baseado no conto.
  • Antes do baile verde, Lygia Fagundes Telles
    O conto é o que dá nome à coletânea da escritora paulista, publicada em 1970 pela primeira vez. Aqui tem o conto na íntegra, mas vale muito a pena ler a seleção inteira. O texto é quase todo um diálogo entre uma adolescente e uma empregada da casa, enquanto ela se enfeita para o “baile verde” ao som do Carnaval, que acontece lá fora, e do pai doente no quarto ao lado.

  • Restos de Carnaval, Clarice Lispector
    A história faz parte do livro de contos Felicidade Clandestina. Lembrou pra mim um pouco o conto de Lygia, pois aborda o pesar do Carnaval quando alguém querido não está bem. Nesse caso, do ponto de vista de uma menina de 8 anos, na folia do Recife. É escrito em primeira pessoa, e há sérias cogitações de que seja autobiográfico. Você consegue ler aqui.

    Carnaval do Recife | Divulgação Wagner Ramos/PCR

  • Concerto Barroco, Alejo Carpentier
    É o único da lista que é um romance, e não apenas um conto. O escritor cubano narra a ida de um milionário da prata mexicana a Veneza, em pleno Carnaval. O livro foi publicado pela primeira vez em 1974. Alguém aí leu? Dá pra saber mais no site da Companhia das Letras.

    Você conhece mais algum conto ou livro legal de Carnaval? Conta nos comentários.

    Agradeço a colaboração de Francisco Mariani, via Facebook.

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5 autores para se ler no inverno

Publicado por em 23/08/2010 | Deixe um comentário

Ler no inverno

Foto: Bookporn.

Logo que criei o Menos1naestante, ganhei um mimo incentivador de um amigo: uma lista de autores para se ler no inverno. Tiago tinha escrito de bobeira e me ofereceu para que eu publicasse aqui no blog. Imagina que legal, assim, do nada, um top 5 de um leitor voraz e inteligente.

Como ainda era abril, esperei o inverno marcar mais presença para postar. Bom, a estação já caminha para o fim e estou tentando entender como deixei tanto tempo passar. Sorte que bons escritores são bons para qualquer época do ano, não? Confiram aí a seleção, e não deixem de visitar o blog dele, o De Veneta:

Por Tiago Martins

No início da noite deste sábado, durante o banho, vieram-me umas ideias insistentes de elencar cinco autores/livros para se ler neste inverno. Um banho que faz relaxar um pouco a mente e deixa os pensamentos fluírem mais tranquilos. Notei como a chuva já começa a tomar o espaço do sol, e ambos dividiam em partes iguais a “atenção” das pequenas plantas e árvores. O inverno é isso, penso.

Segue a lista. Fico feliz se alguém tiver tempo para saborear essas obras. E descobrir mais sobre esses autores que me são tão caros. Não coloco por ordem de preferência, nem alfabética e nem ordem alguma. Apenas um após o outro, assim, assim mesmo.

Alejo Carpentier
Alejo Carpentier

Escritor cubano nascido no ano de 1904, em Havana, um ano antes da independência do país. Filho de um arquiteto francês e de uma professora de línguas, de origem russa, que chega a Cuba dois anos antes do seu nascimento. O livro dele que indico é O Século das Luzes, uma análise minuciosa do surgimento dos ideais de liberdade em nosso continente americano e, ao mesmo tempo, uma novela histórica onde ele tenta nos mostrar uma vasta síntese da experiência americana.

José Saramago
José Saramago

Entre tantos livros bons deste autor português nascido na aldeia de Azinhaga na região de Ribantejo, indico Todos os Nomes, uma impressionante história de um modesto escriturário da Conservadoria Geral do Registo Civil, o Sr. José, cujo hobby é colecionar recortes de jornal sobre pessoas famosas. Um dia sua curiosidade acabará se concentrando num recorte que o acaso põe diante dele – a mulher focalizada ali não é célebre, mas o escriturário desejará conhecê-la a todo custo. Abandonando seus hábitos de retidão, ele comete pequenos delitos para alcançar o que deseja. Pequenas mentiras que darão à vida uma intensidade desconhecida.

Ítalo Calvino
Ítalo Calvino

O escritor italiano Ítalo Calvino não nasceu na Itália, mas em Santiago de Las Vegas, Cuba, a 15 de outubro 1923, onde seus pais estavam de passagem. O livro dele que indico é o Cidades Invisíveis, publicado em 1972. Na história, o veneziano Marco Pólo conta ao conquistador Kublai Khan todas as viagens que já havia feito. O livro é um desdobrar de territórios e uma viagem pelo reino da linguagem. Mostra a qualidade de um trabalho extremamente depurado que forma, ao final, uma metrópole atemporal e superpovoada de sentidos.

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