Pela crítica literária, arquibancadas cheias

Publicado por em 15/04/2010 | Deixe um comentário

São pouquíssimas as oportunidades que surgem no Recife para discutir literatura, por isso achei o projeto O Laboratório (que tem perfil no Twitter) uma iniciativa louvável. Ontem, rolou o primeiro de vários encontros que vão ocorrer toda segunda terça-feira de cada mês, com foco na atividade da crítica.O melhor é que o Teatro Apolo Hermilo, no Bairro do Recife, ficou cheio – faltou lugar nas arquibancadas – e o clima intimista do espaço favoreceu a troca de ideias. Para quem não foi, conto um pouco.

Crítica para quê? Era a pergunta-proposta do encontro. “O crítico é alguém que leva a pensar, a refletir, a criar gostos. O crítico é alguém que cria gostos”, disparou o professor de Literatura da UFPE, Anco Márcio Tenório, convidado junto com Schneider Carpeggiani, repórter de cultura do Jornal do Commercio e editor do suplemento Pernambuco.

Foto de Aleksandr Slyadnev

Mais do que a pergunta proposta, o assunto recorrente foi a falta de espaço para a crítica literária na imprensa – fato. Alguém da plateia citou os textos longos da época em que o poeta Alberto da Cunha Melo era editor do Jornal do Commercio. Mas eu lembro bem num passado mais recente das páginas inteiras que o Diario de Pernambuco dedicava ao assunto, com matérias de Mário Hélio que eu adorava ler.

Essa história sempre entra naquela discussão do “ovo e da galinha”: é o leitor que não se interessa ou o jornal que não dedica espaço? Representante da mídia ali, Schneider apontou como agravantes o pouco interesse dos próprios jornalistas em literatura e as escolhas editoriais que naturalmente priorizam cinema e música.

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O horror do mundo cresce ou diminui?

Publicado por em 14/04/2010 | Deixe um comentário

Queria que do meu estudo resultasse um gráfico – um único gráfico que resumisse, que permitisse estabelecer uma relação entre o horror e o tempo. Perceber se o horror está a diminuir ao longo dos séculos ou a aumentar. Se é estável. Repara que se descobrir que o horror tem uma certa estabilidade histórica, que mantém certos valores, digamos, de cinco em cinco séculos, se conseguir encontrar uma regularidade, estarei perante uma descoberta fundamental (…).

Ameba - Foto de Max Boschini

“Pretendo chegar à fórmula que resuma as causas da maldade que existe sem o medo, essa maldade terrível; quase não humana porque não justificada. (…) E tal como se vê nas folhas quadriculadas de um eletrocardiograma a saúde ou a doença de um homem, eu verei no gráfico, resultado dos meus estudos, a saúde e  doença, não de um único homem, não de um único indivíduo, mas dos homens no seu conjunto; do colectivo, da totalidade do mais relevante e objecto comportamento humano.”

Na digestão de Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, o trecho representa o que foi uma das coisas mais intrigantes da obra para mim: acompanhar os estudos de Thomas Busbeck, um psiquiatra que decidiu se debruçar sobre a História da humanidade para responder a essa pergunta que, diante de tanta violência, todo mundo se faz.

O personagem chega a uma conclusão, inclusive traça uma tabela onde aponta nações que sofrerão massacres no futuro ou o realizarão, causando grande polêmica e… não farei mais spoiler literário :) Para mim, essa é uma daquelas grandes perguntas cuja verdadeira resposta dificilmente virá à tona um dia.

Foto de Max Boschini

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Um livro para desencantar

Publicado por em 12/04/2010 | Deixe um comentário

“Para onde deve o homem dirigir o seu pensamento para não ser considerado louco?”

Ah, que felicidade é fechar a última página de um livro. Se for desses que deixam uma pequena cicatriz na alma, então. E Jerusalém (Ed. Cia das Letras, 2006), do angolano/português Gonçalo M. Tavares é assim. Uma boa história, contada sem linearidade. Forte, que aborda tantos temas caros como loucura, violência, morte, prostituição. Parece um filme. Daqueles onde você conhece alguns personagens e certas atrocidades nas suas vidas e depois sai da sala sem querer falar nada, digerindo.

“Por onde tens andado? – perguntou ela a Ernst. Que pergunta ao mesmo tempo cautelosa e violenta: ‘Por onde tens andado? Que ruas frequentas, que casas?’ Pergunta moral, e não geográfica.”

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Menos um na estante

Publicado por em 11/04/2010 | Um comentário

Quem não tem uma pilha de livros à espera da vez? Quem não pensa que precisa “ler mais”? Foi com a certeza de que encontraria pessoas que se identificariam com a minha angústia – motivadora de tantas promessas de revéillon – que decidi criar esse blog. Quase o meu primeiro.

Com ele pretendo não só dar fôlego a essa meta pessoal de diminuir um a um o triste saldo dos livros não lidos na minha estante. Algo como em vez de deixar a cultura digital sufocar o hábito de ler, usá-la como aliada para mantê-lo forte. Pretendo também compartilhar com os visitantes as minhas impressões das leituras. Trechos de obras, imagens, informações sobre autores, referências a outras mídias, vale qualquer coisa que possa interessar a um leitor.

Cena de "2 ou 3 choses que je sais d'elle", de Jean-Luc Godard

E, claro, ficarei feliz em poder “ouvir” qualquer um que se dispuser a trocar uma ideia. Vamos ver no que dá.

Destaque para a linda foto que ilustra o cabeçalho, é da Katie Harris.

Foto: Godard, via O Silêncio dos Livros

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