Ideias demais, coisas demais, pessoas demais

Publicado por em 27/04/2010 | Deixe um comentário

“Existem ideias,
coisas
e pessoas
demais.
Caminhos demais a seguir.
Comecei a achar que é importante
gostar de algo
com paixão,
pois isso reduz o mundo a um tamanho
administrável.

Adaptation

Mais identificação, impossível. Trecho do livro ou roteiro de algum dos personagens – não estou lembrada, alguém? – desse que é um dos meus filmes favoritos. And we love Nicolas Cage.

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Livros destruídos? Ainda não foi dessa vez…

Publicado por em 26/04/2010 | Deixe um comentário

Livros queimados

Imaginem que o maior grupo editorial do Brasil, a Ediouro, enviou um e-mail para mais de 400 livrarias determinando que os livros encalhados não precisariam ser enviados inteiros de volta: bastava a capa, quarta capa e a ficha catalográfica. E o miolo? Pode jogar fora. Ainda bem que essa notícia, digna da sessão Planeta Bizarro, do G1, teve um final feliz. Depois de receber inúmeras críticas, a empresa voltou atrás e estuda uma nova forma de lidar com as publicações que não vendem mais. Ufa!

Foto de Andrew Freese

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Quando uma ficção científica nazista não é bem uma ficção

Publicado por em 24/04/2010 | 2 comentários

A tarefa de casa da pós-graduação era escrever uma resenha sobre um produto cultural de um estrangeiro que abordasse o Brasil, a fim de avaliar a relação entre cultura global e cultura local. Decidi logo que seria um livro, pelo projeto #menosumnaestante. E depois de uma consulta aos universitários e algumas opções em mãos, escolhi Os Meninos do Brasil, do norte-americano Ira Levin.

Até quase a metade das páginas, eu pensei que o máximo que ele renderia, além do trabalho, seria um post sobre como é ruim se descobrir lendo um livro ruim. Afinal, eu saí de um Gonçalo M. Tavares. Mas no meio do caminho, a história me capturou e vi que não poderia ser tão injusta. Os Meninos do Brasil não é boa literatura: para vocês terem ideia, costumo anotar num caderninho trechos marcantes das obras, e dessa eu não anotei uma linha. Mas é uma história de ficção científica bem escrita.

No Brasil da década de 70, um médico nazista reúne um grupo de ex-oficiais de Hitler para cumprirem a missão de matar 94 homens de 65 anos em vários países da Europa. É a primeira fase de um plano para instaurar o IV Reich. Pistas dele chegamao judeu “caçador de nazistas” Liebermann, que é o Sherlock Holmes da história. Se não quer saber o final do livro, pare por aqui.

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Para leitores que andam em círculos

Publicado por em 21/04/2010 | Deixe um comentário

estante circular Estante para leitores que andam em círculos arte arquitetura

Via livroseafins.com

Agora dá também para se exercitar lendo. Já pensou?

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Mas que o “Ctrl + F” faz falta, faz

Publicado por em 19/04/2010 | Um comentário

In preparation for landing, please turn off your books.

Aproveito a desculpa do cartoon do The New Yorker, que vi no Desculpe a Poeira, para contar que tenho acompanhado como posso todo o burburinho em torno dos e-books, impulsionado pelo lançamento de vários leitores digitais no mercado. Os e-readers derrubam a principal resistência ao livro eletrônico, que é o cansaço de se ler numa tela que reflete luz, como a de um computador.

Ainda são poucas opções no Brasil, mas isso é questão de tempo, assim como é para contarmos com um número cada dia maior de versões eletrônicas das obras à venda. Que vai mudar, é incontestável – a revolução no consumo da música está aí para provar. Mas ninguém sabe como as coisas vão se ordenar. Para ficar a par do assunto, recomendo o blog eBook Reader, que é um grande clipping do que sai na mídia brasileira sobre o tema.

A mim, dá um aperto só em pensar no fim dos livros em papel. É o apego à experiência tátil, ao cheiro do livro, ao cuidado visual, em guardar fisicamente aquela obra que mudou o meu jeito de ver a vida. E até – por quê não? – à sujeira que se acumula enquanto você ou alguém querido lê aquelas páginas: café, poeira, lágrimas. Eu tenho um A Paixão Segundo GHcomprado num sebo que veio com algumas anotações e uma dedicatória (a outra pessoa, claro) que mais parecem complementar o encanto de Clarice Lispector.

Mas que muitas vezes eu me pego louca para dar um “Ctrl + F” a fim de buscar alguma palavra ou frase dentro do livro… Ah, eu me pego sim.

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Pela crítica literária, arquibancadas cheias

Publicado por em 15/04/2010 | Deixe um comentário

São pouquíssimas as oportunidades que surgem no Recife para discutir literatura, por isso achei o projeto O Laboratório (que tem perfil no Twitter) uma iniciativa louvável. Ontem, rolou o primeiro de vários encontros que vão ocorrer toda segunda terça-feira de cada mês, com foco na atividade da crítica.O melhor é que o Teatro Apolo Hermilo, no Bairro do Recife, ficou cheio – faltou lugar nas arquibancadas – e o clima intimista do espaço favoreceu a troca de ideias. Para quem não foi, conto um pouco.

Crítica para quê? Era a pergunta-proposta do encontro. “O crítico é alguém que leva a pensar, a refletir, a criar gostos. O crítico é alguém que cria gostos”, disparou o professor de Literatura da UFPE, Anco Márcio Tenório, convidado junto com Schneider Carpeggiani, repórter de cultura do Jornal do Commercio e editor do suplemento Pernambuco.

Foto de Aleksandr Slyadnev

Mais do que a pergunta proposta, o assunto recorrente foi a falta de espaço para a crítica literária na imprensa – fato. Alguém da plateia citou os textos longos da época em que o poeta Alberto da Cunha Melo era editor do Jornal do Commercio. Mas eu lembro bem num passado mais recente das páginas inteiras que o Diario de Pernambuco dedicava ao assunto, com matérias de Mário Hélio que eu adorava ler.

Essa história sempre entra naquela discussão do “ovo e da galinha”: é o leitor que não se interessa ou o jornal que não dedica espaço? Representante da mídia ali, Schneider apontou como agravantes o pouco interesse dos próprios jornalistas em literatura e as escolhas editoriais que naturalmente priorizam cinema e música.

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O horror do mundo cresce ou diminui?

Publicado por em 14/04/2010 | Deixe um comentário

Queria que do meu estudo resultasse um gráfico – um único gráfico que resumisse, que permitisse estabelecer uma relação entre o horror e o tempo. Perceber se o horror está a diminuir ao longo dos séculos ou a aumentar. Se é estável. Repara que se descobrir que o horror tem uma certa estabilidade histórica, que mantém certos valores, digamos, de cinco em cinco séculos, se conseguir encontrar uma regularidade, estarei perante uma descoberta fundamental (…).

Ameba - Foto de Max Boschini

“Pretendo chegar à fórmula que resuma as causas da maldade que existe sem o medo, essa maldade terrível; quase não humana porque não justificada. (…) E tal como se vê nas folhas quadriculadas de um eletrocardiograma a saúde ou a doença de um homem, eu verei no gráfico, resultado dos meus estudos, a saúde e  doença, não de um único homem, não de um único indivíduo, mas dos homens no seu conjunto; do colectivo, da totalidade do mais relevante e objecto comportamento humano.”

Na digestão de Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares, o trecho representa o que foi uma das coisas mais intrigantes da obra para mim: acompanhar os estudos de Thomas Busbeck, um psiquiatra que decidiu se debruçar sobre a História da humanidade para responder a essa pergunta que, diante de tanta violência, todo mundo se faz.

O personagem chega a uma conclusão, inclusive traça uma tabela onde aponta nações que sofrerão massacres no futuro ou o realizarão, causando grande polêmica e… não farei mais spoiler literário :) Para mim, essa é uma daquelas grandes perguntas cuja verdadeira resposta dificilmente virá à tona um dia.

Foto de Max Boschini

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Um livro para desencantar

Publicado por em 12/04/2010 | Deixe um comentário

“Para onde deve o homem dirigir o seu pensamento para não ser considerado louco?”

Ah, que felicidade é fechar a última página de um livro. Se for desses que deixam uma pequena cicatriz na alma, então. E Jerusalém (Ed. Cia das Letras, 2006), do angolano/português Gonçalo M. Tavares é assim. Uma boa história, contada sem linearidade. Forte, que aborda tantos temas caros como loucura, violência, morte, prostituição. Parece um filme. Daqueles onde você conhece alguns personagens e certas atrocidades nas suas vidas e depois sai da sala sem querer falar nada, digerindo.

“Por onde tens andado? – perguntou ela a Ernst. Que pergunta ao mesmo tempo cautelosa e violenta: ‘Por onde tens andado? Que ruas frequentas, que casas?’ Pergunta moral, e não geográfica.”

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