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O tapa de Borges nos intelectuais

Publicado por em 5/02/2011 | 2 comentários

Há um tema caro, e, por isso, pouco exposto dentro do sistema literário. Entre escritores, editores, críticos, professores, observa-se o esforço em parecer sábio. É inegável que a intelectualidade não se faz apenas de especialistas, mas também do esforço em parecê-lo, por meio da reprodução de informações consideradas cultas.

Essas atitudes recheadas de hipocrisia encontram no argentino Jorge Luís Borges uma crítica sofisticada, delineada pela mais pura ironia. Na obra do escritor, dois contos podem ser destacados por darem “tapas com luvas de pelica” na sociedade culta: Funes, o Memorioso e Pierre Menard, autor de “Quixote”.

Senhor que parece com Jorge Luís Borges. Foto: Ricardo Greene

No primeiro, um excêntrico jovem que sempre sabia as horas ganha uma habilidade irreal ao sofrer um acidente, na cidade uruguaia de Fray Bentos. Inexplicavelmente, numa fatalidade que o deixou paralítico, ele passa a acumular na memória todos os fatos, detalhes, sensações sentidas desde então, uma sobreposição sem fim.

Um dos sinais mais fortes dessa crítica à hipocrisia intelectual no conto é que Funes, o jovem, em vez de lamentar a sua tragédia, a considera uma graça conquistada: “Pouco depois averiguou que estava paralítico. Fato pouco o interessou. Pensou (sentiu) que a imobilidade era um preço mínimo. Agora a sua percepção e sua memória eram infalíveis”. Ora, como poderia não ser uma dissimulação alguém não lamentar a total perda dos movimentos físicos?

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Meta literária 2017: o meu plano de leituras com foco e propósito

Publicado por em 30/01/2017 | 4 comentários

Plano de metas literárias 2017

Esquema de metas literárias pra 2017: planejamento e propósito

Um belo dia resolvi mudar. Mais especificamente esse ano de 2017. Como eu nem lembro da última vez em que estabeleci uma meta de leitura e consegui cumprir, eu arrumei um jeito diferente de lidar com a leitura. Decidi ser mais ousada na minha meta, e ainda planejar ela inserindo foco e propósito.

Tudo começou quando li esse artigo do Lombada Quadrada, porque percebi que as minhas leituras estavam seguindo um grande randoom. Aleatoriedade demais. Não que isso seja errado ou ruim, mas ao final de um ano eu não contemplei gêneros e tipos de livros que acho importante.

Seguindo o fluxo natural, eu não li mais escritoras mulheres, quase não li autores nacionais, nem biografia, nem quadrinhos, etc. Simplesmente quero tentar me sentir mais produtiva literariamente ao fim de 2017. 

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Escritores vão à praia

Publicado por em 5/05/2012 | 2 comentários

Camus na praia

Clarice na praia

Borges na praia

Um post mais do que merecido para o fim de semana. Afinal, até os intelectuais vão à praia. É o que mostra esse tumblr bem divertido, reunindo um peculiar acervo das cenas mais improváveis. Gente que passa pelo mundo fazendo a diferença, muitos deles escritores. Tudo bem, às vezes de forma bem tosca como você verá lá. Só um preview nas fotos acima, de Albert Camus bem acompanhado na praia, Clarice Lispector na praia e ainda Borges e outros amigos inteligentes… na praia.

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O @menos1naestante no Pinterest e com nova fan page

Publicado por em 5/03/2012 | Deixe um comentário

Decidi começar a semana contando algumas novidades do blog. A primeira é que temos uma fan page no estilo timeline agora! É que o Facebook avisou a todo mundo que as páginas serão exibidas como linha do tempo (igual aos perfis), automaticamente, a partir de 30 de março. E deu a opção de adiantar a ideia, foi o que aconteceu com o Menos um na estante.

Agora, quando você entrar lá, tem uma imagem grande de boas-vindas e as postagens são mostradas de forma diferente. O que você achou? http://facebook.com/menosumnaestante

Inaugurei a proposta com uma citação de Borges, mas a minha ideia é sempre colocar uma coisa diferente a cada semana. Algo que for surgindo entre as postagens, algo que retrate o sentimento dos últimos dias. Seria lindo receber sugestões de vocês.

Quero dizer que hoje sou bem empolgada com o espaço legal que se tornou a nossa fan page, com mais de 700 seguidores, rumo aos 1000! Consigo interagir com rapidez com todos vocês, fazendo perguntas, trocando ideias e postando coisas legais de rápido consumo. Então, se você ainda não curtiu lá, tá perdendo tempo! ;)

Outra novidade é que o blog se espalhou mais um pouco, ganhando um espacinho na mais nova rede social famosa. Para quem não conhece, o Pinterest é um grande quadro virtual onde você dá um pin nas imagens, fixando-as por lá e arrumando em quadros temáticos. Dentro do meu perfil pessoal, você encontra o board do @menos1naestante, que, engraçado, já tem bem mais followers do que eu: http://pinterest.com/marcialira/menos1naestante. E aí, vamos pinnar?

*Só pra ser diferente, esse post é sem imagem.

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Dez citações de escritores sobre o ato de ler

Publicado por em 20/12/2011 | 2 comentários

Não sei vocês, mas eu amo frases. O Flavorwire, um site onde existe pouquíssimo conteúdo dispensável, selecionou 40 citações de escritores famosos para dar uma inspiração extra para a leitura no mês de dezembro, provavelmente o mais agitado socialmente. Delas, elegi as dez que gostei mais e listei abaixo. Todas em inglês, mas com o Google Translator não tem desculpas.

Frase-borges

“You should never read just for “enjoyment.” Read to make yourself smarter! Less judgmental. More apt to understand your friends’ insane behavior, or better yet, your own. Pick “hard books.” Ones you have to concentrate on while reading. And for god’s sake, don’t let me ever hear you say, “I can’t read fiction. I only have time for the truth.” Fiction is the truth, fool! Ever hear of “literature”? That means fiction, too, stupid.” — John Waters

Frase-confucius

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Poetas, como a cegueira, podem ver no escuro

Publicado por em 20/10/2011 | Deixe um comentário

Tem tanta beleza nesse filme que é difícil dizer. Encontrei com ele, o vídeo, no Brainstorm9, e não resisti a trazê-lo. É impressionante como qualquer coisa ligada a Jorge Luis Borges (é dele a frase do título), qualquer texto, poema, vídeo, mesmo apenas inspirado nele, mesmo na internet, coloca a gente longe da superficialidade.

Então, o Ruschel é brasileiro e decidiu fazer essa homenagem ao argentino. Buenos Aires: Las Calles de Borges tem uma música que convida à imersão, imagens simples cuidadosamente amarradas. Há a personalidade e charme de Buenos Aires e a figura de Borges, remetendo a toda a sua obra, sem dizer praticamente nenhuma palavra. Um filme apaixonado pelo autor e pela vida.

Curte Borges? Tem mais aqui.

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Os 112 anos do bruxo argentino, por Tiago Martins

Publicado por em 25/08/2011 | Deixe um comentário

Não criei personagens. Tudo o que escrevo é autobiográfico. Porém, não expresso minhas emoções diretamente, mas por meio de fábulas e símbolos. Nunca fiz confissões. Mas cada página que escrevi teve origem em minha emoção. (Jorge Luís Borges)

Hoje, se vivo, o viejo brujo estaria completando 112 anos. Vivo não está, mas permanecerá eterno. Com versos de uma simplicidade hermética, sempre preciso e afiado como um bisturi, Jorge Luís Borges segue embalando gerações de leitores em todo o mundo. A mágica de sua obra é a qualidade em dizer as coisas simples de forma transparente e lúcida. Borges nasceu Argentino, mas sua prosa e principalmente sua poesia é universal.

Jorge Luis Borges

Existem grandes autores que para serem compreendidos necessitam de um grande esforço, que deixa o leitor, às vezes, exausto e sem interesse. Na obra de Borges, o arrebatamento e a sublimação chegam antes desse cansaço.

Jorge Luís Borges é desses autores que conseguem comunicar esplendidamente, que falam de maneira inequívoca às mentes e aos sentimentos. Era iluminado e luminoso, embora cego. Perdera a vista no ano de 1955.

Aos oitos anos, Borges decidiu que seria escritor. Pegou da pena e do lápis e, escreveu seu primeiro conto: La visera fatal. Oitenta anos depois, mesmo cego, velho, encurvado sob o peso da idade e sob o signo da descrença, ainda prosseguia ditando as palavras. Sua mãe, Leonor e sua secretária particular, amiga e no final da vida esposa, Maria Kodama eram seus olhos. Seguiu publicando livros que ditava por inteiro, cada vez mais belos. Esperava-se o Nobel, que não chegou até a sua morte em 1986.

“Não, não tenho nenhuma sabedoria”, afirmava o Bruxo quando lhe comentavam ser o último sábio sobre a Terra. Completava arrematando: “Li e reli quase sempre os mesmos livros”. Falava, com certa ironia na voz forte e marcante; era sábio sim.

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Vocês acabaram de ler a contribuição especialíssima do amigo Tiago Martins. Grande leitor, já tinha indicado 5 autores para se ler no inverno por aqui. Obrigada, Tiago :)

Para quem gosta do autor argentino, vale também escutar no blog do Almir de Freitas 26 textos de Borges lidos pelo próprio.

Hoje, não se falou em outra coisa por causa da homenagem do Google.

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Quando a obra representa o autor, literalmente

Publicado por em 30/06/2011 | Deixe um comentário

John Sokol levou bem a sério a premissa de que a obra de um escritor o representa. Tão a sério que passou a fazer retratos dos autores usando palavras de seus livros, formando imagens. O resultado é bem interessante. Mais metalinguagem, impossível. Acima, quatro exemplos, mas no site dele tem vários outros. Na ordem: James Joyce, com Ulysses, Baudelaire e Les Fleurs du Mal, Borges pelo The Secret Miracle e Faulkner, com The Sound and the Fury. Para quem curtiu, Sokol vende os quadros. O artistas ainda é poeta e escultor.

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