O conto da ilha desconhecida, Jose Saramago

O Conto da Ilha Desconhecida, de Saramago, é um livro tão curtinho e tão fluido que mais parece um sonho. Um sonho, daqueles que envolve a gente por um bom tempo depois de acordar.

Foi o meu primeiro Saramago. Graças a Anne, a amiga que ficou indignada porque eu nunca tinha lido nada do escritor português. Então ela resolveu criar um projeto #leiasaramago especialmente pra mim, onde ela vai me guiando pela obra dele. Que privilégio, né? Eu tô apenas amando isso.

Pra Anne, é um ótimo livro pra começar a ler o escritor por três motivos: é um conto, é curto e por ser uma boa amostra da escrita do Saramago. E pra mim, que sempre fico admirando títulos perfeitos, o desse livro é um charminho a mais.

(…) dizia que todo homem é uma ilha, eu, como aquilo não era comigo, visto que sou mulher, não lhe dava importância, tu que achas, Que é necessário sair da ilha pra ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós, Se não saímos de nós próprios, queres tu dizer, não é a mesma coisa.”

O Conto da Ilha Desconhecida é de uma época inexata, num lugar perdido em que uma sucessão de coisas improváveis acontece. Como um homem, tido como louco ou idiota, que ganha um barco do rei para realizar o sonho de encontrar o tal arquipélago.

Pelo nome e pelo clima da narrativa, achei que o livro fosse sombrio. Mas não é. Tem um estranhamento do funcionamento das coisas, mas é bem sutil. Acho que essa expectativa veio dos resquícios da leitura anterior também maravilhosa do Ray Bradbury (leia resenha de A Cidade Inteira Dorme).

Seria o livro uma alusão à busca por si próprio, pelo autoconhecimento? Ou uma metáfora da vida e seus mistérios? Talvez uma ode à realização dos sonhos impossíveis, aos grandes feitos que começam quando uma pessoa não se conforma com o que tem à disposição.

Sinto que nunca vou me decidir sobre o que é esse livro, e isso é maravilhoso.

Sem pontos ou travessão, sem nomear os personagens e usando o português de portugal, Saramago se faz entender num ritmo constante, como uma música. Cada frase é gostosa de se ler, como uma peça única bem lapidada. Deu pra começar a entender toda a admiração pelo escritor.

Engraçado que o livro ficou mais de duas semanas me acompanhando pra cima e pra baixo, mas acabei lendo justo no dia em que andei de barco, na Praia de Pipa-RN, muitos e muitos anos depois da primeira vez. O que me fez entrar muito fácil no clima do livro. Dessas coincidências boas.

Já leu? Adoraria saber o que você achou.

O próximo do projeto #leiasaramago indicado por Anne é O Homem Duplicado. Veremos <3

Nota: ★ ★ ★ ★ ☆
O Conto da Ilha Desconhecida,
José Saramago
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 63
ISBN: 978-85-7164-849-4
Um livro para: ler rápido e depois ficar pensando

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