Pôr do sol

Se você mora no Brasil, é provável que vá entender bem o que eu tô falando. Porque aqui no Recife todo dia a gente tá levando uma surra de calor. O clima abafado, a gente suando, e as folhas das árvores que não balançam.

Por isso que quando li esse trecho do conto O Homem em Chamas, do Ray Bradbury, me remeteu ao sentimento que dá nesse clima. A gente não fica normal não andando debaixo desse sol.

Num dia como hoje, o inferno todo está solto dentro de sua cabeça. Lúcifer nasceu em um dia assim, em uma desolação como esta’, disse o homem. ‘Com apenas fogo e chamas e fumaça por toda parte’, disse o homem. ‘E tudo tão quente que você não conseguia tocar, e as pessoas não querendo ser tocadas’, disse o homem.

(…) Ouçam. E se o calor intenso, quero dizer, o calor realmente quente, quente de um mês como este, em uma semana como esta, em um dia como hoje, simplesmente produzisse um Homem Mau, feito de lama do rio assada. Que estava ali, enterrado na lama por quarenta e sete anos, como uma maldita larva, esperando vir à luz. E ele despertasse com uma sacudida e olhasse em volta, totalmente adulto, e saísse da lama quente para o mundo e dissesse: ‘Acho que vou comer um verão’.”

Queixas à parte, A Cidade Inteira Dorme, coletânea de histórias do autor de Fahrenheit 451 foi a minha primeira leitura finalizada de 2016. E-QUE-HIS-TÓ-RIAS! Em breve, venho contar mais.

Mais sobre Bradbury no blog:

Bradbury e o que não pode acontecer, por Diogo Monteiro
Em 1953, Fahrenheit 451 criticava a redução dos clássicos

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