Foto 2: KK Santos

Por KK Santos*

Nunca fui de me apegar a coisas. Sempre preferi pessoas. Mas os livros derrubam essa minha preferência em milésimos de segundos. Me apego a eles. Não somente às histórias contadas nos ditos cujos, mas ao bicho mesmo, o livro, fisicamente falando. Seja novo na livraria ou velhinho no sebo. E foi nessa viagem que adquiri meu preferido. E venho contar-lhes a história a pedido da amiga Marcinha. Um prazer e uma honra para mim, fã do Menos um na estante.

Tudo começou quando descobri um site que reunia sebos de todo o Brasil. A ideia de comprar livros em sebos através da internet (sempre disse, essa tal de internet veio para ficar) muito me agradou. Na época, mesmo sendo repórter de cidades de um jornal do Recife, prontamente ofereci a pauta para a editora do caderno de tecnologia. Com o OK, parti para a apuração.

Localizei o dono da ideia, um carioca eu acho, e o entrevistei por telefone. Achei uma galera que já usava o site e dois sebos pernambucanos cadastrados no portal sebístico. Já tinha tudo para escrever a matéria, certo? Nada disso. Algo me intrigava no sítio. Uma tal de pesquisa offline. A ideia era você acionar os sebos cadastrados em relação a um exemplar não encontrado no sistema de busca, ou seja, nos livros cadastrados por eles.

Laranja Mecânica 2

Foto 3: KK Santos

Aí juntei a fome com a vontade de comer. “Vou testar essa bixiga para ver se funciona e colocar o resultado na matéria”, pensei. E o teste não era fraco não. “Estou à procura do primeiro exemplar do livro Laranja Mecânica, de Anthony Burgees, em português”, avisei na tal pesquisa offline. E pensei: “agora peguei os caras.”

Mas não é que, pouco mais de 24 horas depois, o dono de um sebo no interior de São Paulo me responde dizendo que tem o dito cujo. Por incrível que pareça, com o frete, saiu mais barato que o exemplar da edição mais recente, que por sinal tenho em casa (sim, eu gosto muito de Laranja Mecânica, tanto do livro como do filme de Stanley Kubrick, que é baseado na obra de Burgees).

Em quatro dias, o livro estava em minhas mãos. Um exemplar de 1971. Uma capa dura, com letras douradas, segundo o dono do sebo, para proteger a original. Na capa original, o título com o artigo na frente, este retirado anos depois: A Laranja Mecânica. E mais o complemento: “uma estória de violência e terror recriados no futuro.” O livro vem ainda com um glossário no final, com os significados da linguagem nadsat, utilizada por Alex e sua trupe, personagens da história de Burgees.

E foi assim que essa belezura foi parar na minha estante. Não leu ainda Laranja Mecânica? Então coloque logo na sua lista. Vale lembrar que o livro é de 1962 (e o filme de 1971), mas parece bem atual. Muitos críticos dizem que Clockwork Orange (o nome original) faz parte da trilogia de ficção do século 20, formada ainda por Admirável Mundo Novo (1932), de Aldous Huxley, e 1984 (1949), de George Orwell. É isso. Boa leitura.

***
Que história massa, né? Só tenho a agradecer a colaboração de primeiríssima do amigo KK Santos, obrigada :D
Ele costuma dar umas dicas de livros bem legais no Instagram @santoskk.

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