Então eu estava lendo não um livro, mas a revista Piauí, quando me deparei com o perfil bem interessante do Yoshiharu Kawasaki. Yoshi, como chamam os colegas, é um desenhista de mão cheia e usa a sua arte em prol da lei. É retratista da Polícia Civil de São Paulo. Aos 47 anos, transforma lembranças de vítimas e testemunhas em pessoas, ajudando a capturar criminosos como o Maníaco do Parque (em 1998).

Na Flip de 2009, o “último retratista a fazer uso apenas do lápis e do papel” foi convidado pelo site O Livreiropara participar de uma experiência diferente. Fazer retratos falados de personagens da literatura, ouvindo as descrições dos leitores. Uma coisa fantástica, eu diria.

Primeiro por fazer pensar sobre essa construção visual que a gente faz de cada personagem – tão subjetiva que fica até difícil dividir com alguém. Depois, porque comprova como é uma impressão particular. Você pega as características físicas que o autor dá na obra, e as informações que não estão lá, é só preencher com imaginação.

Tanto que no vídeo acima, um programa Entrelinhas com Yoshi, uma adolescente e um jovem descrevem a mesma Capitu, a dissimulada de Dom Casmurro, de Machado de Assis, e o resultado são mulheres bem diferentes. Há ainda representações da Diadorim de Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas, e do Joseph K. de Kafka, em O Processo. Abaixo, o retrato falado é do Hans Castorp, de A Montanha Mágica, do Thomas Mann.

Na boa? Queria que o Yoshi, com esse talento todo, oferecesse esse serviço de materializar personagens. E se fosse pela internet, melhor ainda.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Tags deste post: , , , ,

3 Comentários

Join the conversation and post a comment.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *