Site Nuvem de livros

A essa altura, todos sabem que a Fliporto 2011 está, como eu gosto de dizer, bombando. E embora ainda não tenha dado as caras na sétima edição da festa literária, abrigada no charme de Olinda, difícil um momento na programação que não prometa conteúdo. Entre questionamentos e livros, uma das coisas mais legais lançadas por lá, logo no primeiro dia, foi o Nuvem de Livros.

O projeto preenche a lacuna que ficou, desde que a Netflix começou a operar no Brasil. Afinal, se pode existir um serviço que cobra R$ 15 por mês e disponibiliza milhares de filmes para assistir por streaming, de alta qualidade, quantas vezes quiser, por que não um de livros? A Amazon anunciou estar trabalhando em algo parecido, mas os brasileiros se adiantaram.

Pagando R$ 0,99 por semana (R$ 4 por mês), é possível acessar todos os e-books da Nuvem, classificados em categorias que vão da literatura à filosofia, passando por ciências, enciclopédia, dicionário, artesanato. Como os primeiros dias são gratuitos, corri para me cadastrar e testar. Vamos ao que interessa.

Uma coisa que deve deixar muita gente de fora é que o Nuvem de Livros funciona agregado, exclusivamente, com a Vivo. Então, quem não tiver um celular da operadora não consegue nem efetuar o cadastro. Não é o meu caso. Então, coloquei lá meus dados e recebi minha senha via SMS.

No primeiro acesso, você indica seus assuntos de interesse e é convidado a montar seu avatar (achei um pouco desnecessário, mas tudo bem). A interface da ferramenta é do tipo mais-simples-impossível, onde em um mesmo campo de busca você procura um livro por autor, título ou palavra-chave.

Em relação ao que interessa (literatura!), no panfleto da Nuvem de Livros, estão propagandeados autores cujas obras ainda não estão lá: Twain, Ferreira Gullar, Nelson Rodrigues, Cony, Kafka. Por outro lado, tem muita coisa boa disponível: vários de Rubem Fonseca, alguns de Guimarães Rosa, Histórias Extraordinárias, do Edgar Allan Poe, algumas biografias, e trocentos Machados de Assis. Tudo em português.

Claro que ninguém deve se impressionar com a quantidade de Machado de Assis, pois a obra do autor é de domínio público. Para quem não sabe, a lei brasileira de número 9.610, de 1998, define que 70 anos após a morte do autor (a partir de 1 de janeiro do ano seguinte), a obra fica livre de direitos autorais. Nos EUA, o prazo é de 95 anos. Também vale para produtos audiovisuais e fotografias. No mesmo barco, estão Fernando Pessoa e Sigmund Freud.

Você não faz o download do livro, é pra ler on-line. Então sempre que quiser começar ou continuar a leitura, é só logar na biblioteca virtual e mandar ver. Funciona como nas edições digitais dos jornais, você passa a página, dá zoom, bem intuitivo. Do lado direito, ficam duas abas, uma com um bloco de anotações usável a qualquer momento e outro com a ficha catalográfica da obra. Tem busca e, amei!, um marca-texto virtual.

A moral da história é que, mesmo com um acervo tímido (o que deve er temporário) e com a restrição da operadora, o serviço é bem estruturado e muito válido. Se você ler 1 obra por mês, por apenas R$ 4, foi muito bem pago. Sem falar na consulta a livros técnicos e dicionários.

A meu ver, com esse tipo de serviço, estamos começando a falar em usar tecnologia para melhorar o acesso aos livros e formar leitores.

No meu caso, como ainda reluto em ler livros na frente do computador, acho que funcionaria melhor acessando por um tablet. Embora por enquanto, não pretendo assinar a Nuvem de Livros, pois ainda tenho títulos em papel à vontade para dar conta, e vou focar neles. Mas achei louvável a iniciativa. E você?

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