Clarice Lispector

O meu primeiro contato com Clarice Lispector foi o livro A Hora da Estrela, cuja leitura os professores costumavam indicar no colégio. Li e pouco me disse. Depois comecei algum outro, que nem me lembro, e eu odiava não ser fisgada. Afinal, todos falavam muito bem das obras da autora. Até que um dia, mais madura, devorando o livro de contos A Bela e a Fera, eu entendi tudo. A verdade é que antes eu não estava preparada pra Clarice, a gente não estava em sintonia.

Depois, caí de amores. Não porque me esforcei, mas porque, no turbilhão da adolescência, eu encontrei um lugar onde era entendida.

Aconteceu há 15 anos atrás, mas eu sei que aconteceria hoje também, se eu abrisse (ou quando eu abrir) um livro dela. Longe de ser uma experiência palatável. Passei muito tempo para digerir A Paixão Segundo G.H, e mais ainda para processar Água Viva. Levando em conta que a autêntica obra de arte é aquela onde se encontra infinitos significados e interpretações, a obra de Clarice Lispector é pura literatura. Cada frase tem um propósito.

Mas há um clima de banalização da escritora ucraniana no ar. Primeiro, porque ela beira a unanimidade, e em tempos de compartilhamento, isso significa pílulas de Clarice jogadas nas mídias sociais. Tem muita coisa falsa no meio, e essa overdose tem feito com que pedaços da sua obra sejam constantemente ligados a uma áurea auto-ajuda. É como se cada vez mais a aproximassem do lugar menor onde está Paulo Coelho. Quanta injustiça!

Tem muita coisa de qualidade duvidosa que eu gosto, reconheço. Mas com a mesma convicção, sei que Clarice não é uma delas.

Vinha pensando nessas questões, mas foi a boataria sobre um filme novo em que a atriz Meryl Streep interpretaria Clarice Lispector que me motivou de vez. Depois, a história foi desmentida pelo Benjamim Moser, autor da biografia da escritora. Ou seja, somente mais um blá-blá-blá bobo em torno do nome dela. Pra quê?

Por falar em cinema, deixo vocês com essa entrevista com a escritora. A última que ela concedeu, pouco antes de falecer, em 1977. Digam só se essa mulher merece esse descrédito?

E é só a primeira parte. Ainda tem a 2, 3, 4 e 5.

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