“- Você já se enganou uma vez – atalhou a jovem. – Ele não pode estar morrendo, não pode. Também estive lá antes de você, ele estava dormindo tão  sossegado. E hoje cedo até me reconheceu, ficou me olhando, me olhando e depois sorriu. Você está bem, papai?, perguntei e ele não respondeu, mas vi que entendeu perfeitamente o que eu disse.
– Ele se fez de forte, coitado.
– De forte, como?
– Sabe que você tem o seu baile, não quer atrapalhar.”

Máscara do carnaval de Veneza - Foto de Nwardez

Trecho do conto de Lygia Fagundes Telles, Antes do Baile Verde, integrante de uma coletânea de mesmo nome. Pensei em Carnaval na literatura e lembrei dele, que tem direito a saiotes, marchinhas, palhaços e lantejoulas. É tão colorido e tão triste, tão intenso como podem ser esses quatro dias de festa. E posto ele aqui a alguns instantes de me arrumar pra o desfile do Amantes de Glória, no Bairro do Recife, um bloco cuja cor principal também é verde.

Foto de NWardez

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