Eu deitada no sofá da sala, com uns sete ou oito anos, ao lado de uma caixa de som, devorando Reinações de Narizinho ou outro livro da turma do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. É sempre a cena que me vem à cabeça quando penso no início da minha paixão pelos livros. Era domingo, dia de festa, família reunida e eu curtindo do meu jeito. Lembro de, só muitas páginas depois, ter me divertido ao perceber a música alta junto de mim.

Miniature - Foto: Hilde Skjølberg

Não sei o que me motivava na época. Eu não era popular no colégio, e adorava passar recreios “alugando” livros ou vendo revistas na biblioteca. Talvez fosse poder ter um roteiro ali para inserir minhas doses de imaginação e viver as histórias.

Infelizmente, não leio com a mesma assiduidade, nem tenho a mesma concentração. Mas continuo apaixonada.

Hoje, o que eu acho mais especial é que a literatura consegue, seja lá por que meios e a que preço, me apresentar uma nova visão dos fatos. Ela é agente de um desses clichês inevitáveis da vida: que muita coisa não muda, quem muda é a gente. E às vezes basta um pensamento de um personagem, um modo diferente de ter o mesmo raciocínio. É uma palavra colocada no lugar exato que faz uma diferença enorme na forma de sentir e pensar, daí em diante.

Dia desses, estava lendo um conto do Ronaldo Correia de Brito chamado O que veio de longe. O primeiro parágrafo descreve o corpo de um homem descendo o rio depois de uma enchente. O foco do texto nem é a cheia, mas aquele parágrafo me tocou para o sofrimento que é vivenciar uma situação dessas de um jeito que dezenas de matérias sobre Santa Catarina ou Pernambuco não conseguiram. A literatura humaniza, é isso.

Esse post faz parte da blogagem coletiva proposta pelo blog Livros e Afins, nesta segunda-feira, que convocou os blogueiros para responderem a pergunta do título. E você, por que gosta?

Foto de Hilde Skjølberg

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